VELUDO AZUL - Opinião de Miguel Guedes
Três crimes de corrupção activa e um crime de corrupção activa na forma tentada, eis o magro pecúlio que César Boaventura conseguiu angariar para um rol de acusações que o Ministério Público lhe imputou e que o atiram para prisão domiciliária.
Obviamente, todos estes crimes de que o-até-prova-em- contrário-inocente-Boaventura foi acusado, nada têm a ver com o Benfica: o empresário nunca fez parte de uma lista votada pelos sócios para fazer parte da direcção do clube da Luz. Os sócios nunca elegeriam tal director pelo que, a César o que é de César, Boaventura fez muito bem em manter-se, do lado de fora, a fazer negócios.
A loucura de pensar que um homem que ampla e publicamente se gabava da proximidade a Luís Filipe Vieira, não escondendo nunca o seu enorme amor ao clube, pudesse aliciar jogadores adversários para favorecer o Benfica com o conhecimento do ex-presidente do Benfica, não podia proceder. Só uma imaginação muito fértil pode conceber que o empresário fosse aliciar ou corromper jogadores, deslocando-se a Vila do Conde ou à Madeira, em jogos com o Benfica, com o conhecimento e apoio de um presidente com o qual fazia negócios pessoais e milionários no clube. Pode considerar-se, até, que Boaventura foi um homem extremamente imprudente pela forma como colocou em risco a sua relação profissional com Vieira e Benfica, ao tanto querer ajudar. Merecida homenagem esta, a de o deixarem em paz domiciliária.
O facto do Sporting estar, ao tempo dos jogos investigados, a apenas dois pontos das águias, sendo - supostamente - o maior interessado em perceber o que se passou, não lhe confere a obrigação de se interessar pelos factos. O Sporting faz bem em não querer saber perceber porque, eventualmente, não foi campeão. Esta mania da perseguição a um agora arguido que foi encarregue por Vieira de "despachar" Rui Vitória para contratar Marco Silva, coisa de pequena confiança, é teoria da conspiração, até face ao extraordinário bom nome do empresário na praça. Amplamente conhecido pelos negócios sem factura de Vlachodimos, Gedson, Gabriel Barbosa, Waldschmidt, Ferreyra, Lisandro, Alfa Semedo e Nuno Tavares com o Benfica (entre tantos outros pelos quais é investigado), a simples ideia do envolvimento de responsáveis do clube da Luz nos casos de corrupção de que César Boaventura é acusado são delirantes. Também assim foi com Paulo Gonçalves, este a trabalhar no gabinete ao lado de Vieira. Os braços direitos são o que são, uma desilusão. Chegámos à conclusão de que Luís Filipe Vieira andava mal informado por eles. Felizmente, Rui Costa nada tem a ver com isto.

