Jogadores do United não corriam com Mourinho mas correram com ele. Agora correm ainda menos
A 16 de dezembro do ano passado, após o Manchester United ter perdido (3-1) na casa do Liverpool, José Mourinho atirou a toalha ao chão na questão do título e redefiniu foco para o quarto lugar, enfatizando que ainda assim não seria fácil lá chegar. Dois dias depois, foi despedido.
Passados quatro meses continuam a contar-se histórias da separação e as primeiras versões faziam do português o mau da fita. A entrada de Solskjaer como técnico interino caiu bem no balneário, foi resultando, como o provou uma série de onze vitórias seguidas. As conclusões pareciam certas, o mal estava em Mourinho e, afinal, o plantel é bom, precisava apenas de uma gestão diferente. A administração do United apreciou o desempenho e ofereceu ao norueguês a passagem de treinador interino a titular, com um contrato de três anos. E o encanto quebrou-se. Nas etapas seguintes, os diabos saíram da Champions, perderam com o Arsenal, foram humilhados no Everton, com o técnico a dizer que ele fará parte do futuro do clube mas muitos daqueles jogadores não, e ontem perdeu em casa com o rival City conseguindo que muitos adeptos apreciassem a derrota porque pode tirar o título ao Liverpool. A verdadeira razão não essa, é não ter uma (razão) em que acreditar.
Quando Mourinho chegou a Old Trafford, em 2016, o United era a equipa que menos corria na Premier League, mas ajustou-se e até ganhou a Liga Europa. Esta época, a equipa tinha voltado à lassidão, mas diz a estatística que corre ainda menos após a troca de treinador. O quarto lugar volta a ser uma meta se os jogadores quiserem. O United não precisava de uma chicotada. Precisava de uma vassoura.
