A presunção de inocência é, portanto, um mero formalismo de sobrevivência cívica do presidente autossuspenso.
Fiquei com a sensação de que Luís Filipe Vieira está a ser seriamente entalado pelos seus (ainda) pares.
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Rezam as notícias que o Conselho Fiscal (CF) da SAD do Benfica fará cessar as funções de Vieira na presidência da sociedade após 30 dias de suspensão a que o próprio se submeteu de forma voluntária. Isto é, deixará de ser presidente da SAD do Benfica se não levanta, a si próprio, esse impedimento naquele prazo.
Com uma diligência mesmo muito pouco comum na vida societária dos futebóis, o CF da SAD do Benfica colocou Vieira entra a espada e a parede: ou contraria as medidas de coação impostas pelo tribunal e contacta, de modo profissional, os restantes administradores da sociedade, exercendo as suas funções de presidente do conselho de administração, ou respeita as restrições e confirma a "impossibilidade de exercer funções como membro do órgão de administração", segundo aquele órgão encarnado.
Portanto, ou Vieira assume, contra a decisão do tribunal, as suas obrigações societárias, ou a sociedade manda-o porta fora. Não estando enganado nesta leitura, os antigos pares de Vieira apenas lhe dão 30 dias para convencer da sua inocência o juiz de instrução, o Ministério Público, o Fisco, a Bolsa, enfim, as autoridades e reguladores envolvidos.
De toda a espuma gerada pelo furacão noticioso que é a Operação Cartão Vermelho, é caso para se dizer que este é um segundo cartão vermelho mostrado a Luís Filipe Vieira, ainda por cima exibido pelos seus colegas na SAD, com a complacência - alguns elementos são comuns às duas entidades - da direção do clube.
A presunção de inocência é, portanto, um mero formalismo de sobrevivência cívica do presidente autossuspenso do Benfica. O que representa este virar as costas ao homem que empregou todos os que parecem estar a deixá-lo cair? A promessa de eleições foi, claramente, contra a vontade de Vieira. O seu advogado, que parece ser o único disponível para defender o presidente autossuspenso, foi claro, segunda-feira, quando, a tentar contrariar as ondas da Luz, afirmou que Vieira estava "a ponderar voltar". "Eles fizeram isso?", terá exclamado Luís Filipe Vieira, citado por Magalhães e Silva quanto às eleições. Parece ainda algo arriscado afirmar, a pés juntos, que os "vices" do clube e os restantes administradores da SAD estão disponíveis para deixar cair o homem a quem foram fiéis anos e anos a fio, conforme se poderá confirmar nas assinaturas de todos os acordos, contratos e decisões administrativas, até de muito que é agora alvo de investigação. Saiu-se do adro, ainda assim.
