DENTE DE LEÃO - Uma opinião de Marcos Cruz
Dias quentes na vida, dias mornos na bola. Assim é o Verão, mais uma vez aí à porta. Os clubes repensam o que fizeram e projectam o que poderão fazer melhor. No Sporting há desde logo a preocupação de manter Rúben Amorim, para que o ciclo de sucesso iniciado com a sua chegada não se quebre. E, embora nos lembremos da "cadeira de sonho" de André Villas-Boas, esse desejo, até pela estrutura humana do técnico leonino, parece garantido.
Depois, é preciso resolver o futuro da tropa excedentária, que pesa nas finanças sem dar retorno desportivo. Pergunta-se por aí se algum dos emprestados mereceria uma segunda, ou terceira, oportunidade. Eu acho que não. Olho para aquele leque e só espero que a felicidade acolha todos noutro lugar do país ou do mundo. O defeso é uma época de conjecturas, já se sabe, não há muito mais a fazer por parte dos adeptos, e outra pergunta tem também circulado insistentemente: se algum jogador da Liga, fora dos três grandes, poderia dar o salto.
Ouve-se isto e pensa-se logo em Ricardo Horta, mas eu confesso: no Sporting só queria David Carmo, Vítor Oliveira (Vitinha) e Iván Jaime. Mais um ano em cima e talvez lhes venha a juntar alguns anunciados craques do Braga, cuja formação tem feito um trabalho fabuloso. Mas cada coisa a seu tempo. Agora, o indicado será ir buscar fora. Dizem-me coisas boas de St. Juste, não o conheço. Morita não me encanta. É consistente, tem boa técnica, pensa bem o jogo, mas receio que possa comprometer, sem ganho relevante, o crescimento de Bragança. Logo se verá.
Do que estamos mesmo necessitados é de um ponta-de-lança. Um ou dois. Um deles para entrar de caras no onze, missão quase impossível quando não se tem dinheiro. Eu ponderaria, de facto, a aquisição de Vitinha. Já dei por mim a especular sobre um negócio envolvendo o regresso de Paulinho aos arsenalistas, mas sei bem que Rúben Amorim adora o seu menino. Com a saída de Sarabia, mais cedo do que tarde, estou convencido, vai estourar aí a notícia da vinda de um extremo. Também carecemos, claro, de um guarda-redes, para evoluir à sombra de Adán. E talvez os retoques não tenham de ir muito além disso, se as vendas de titulares forem cirúrgicas. Issahaku deve entrar já no plantel principal, mas para vermos nova fornada de talentos a pegar de estaca há ainda que esperar uns anos. Enquanto isso, é ganhar com o que temos.
