DENTE DE LEÃO - Um artigo de opinião de Marcos Cruz.
Quem olhar apenas para o resultado pode pensar que foi um bom jogo do Sporting, ontem, em Barcelos, mas não. Defensivamente a equipa esteve, como de costume, compenetrada e eficiente. Não me lembro, até, de ter visto uma parada difícil de Adán.
A folha limpa, mais uma, assentou na lógica. O que furou a lógica foi, primeiro, o penálti falhado de Pote. Foi, depois, o golo de Nuno Santos, porque a bola bate num defesa e muda a trajetória. E, finalmente, o golo de Inácio, fruto de um toque inadvertido. Nessa altura já o Gil Vicente estava rendido, daí o golo de Bragança ter sido o único "limpinho", embora me subsistam dúvidas sobre a forma como Paulinho ganha a bola, eventualmente com pé em riste.
A construção de jogo não teve a fluidez que seria exigível. Muito passe para trás quando havia possibilidade de avançar, demasiada falta de precisão e, em situação de remate, grande desacerto. Não sei que raio de vírus terá acometido Pote, porque nem parece o mesmo que nos habituou a uma intensa relação de amor com as balizas. Falhou bolas fáceis e andou desligado, mais uma vez. Paulinho manda vir muito, mas joga pouco. Trabalha, já todos sabemos, faz recuperações importantes, só que na maioria dos casos entrega mal e finaliza pior. O Sporting precisa de outro ponta-de-lança, para mim está praticamente provado.
Quanto a Sarabia, bem sei que foi sacrificado pelo decurso atípico do jogo, com duas expulsões madrugadoras, mas até sair tinha feito zero. Nuno Santos é mais vertical e, naturalmente, havendo espaço extra em campo, compreende-se a opção de Rúben Amorim. Entrou, mexeu um pouco com o ritmo da partida e teve felicidade no remate que inaugurou o marcador. Quem aproveitou para marcar posição e cimentar a ideia de que não pode haver titularidades garantidas no eixo do meio campo foram Ugarte e Bragança, o primeiro impondo o músculo, a habilidade e a visão, o segundo transbordando uma classe que não existe, àquele nível, em mais ninguém do plantel. Percebo que nalguns jogos, taticamente fechados, ele seja preterido, mas o futebol do Sporting ganha outra fluidez quando o príncipe está em campo. Nota ainda para a intrepidez de Esteves, um miúdo irreverente com muito talento e uma surpreendente maturidade. Matheus Nunes melhorou em relação aos últimos jogos, mas pode e deve dar mais. Faltou ver Tabata, pelo que tem feito merecia continuidade. Lá atrás estiveram todos certinhos menos Neto, que num momento incompreensível para um homem com a experiência dele poderia ter comprometido as aspirações da equipa. De resto, um Gil foleiro, longe do que tem mostrado, e um árbitro sem qualidade nem isenção para estar na primeira liga. Os amarelos a Ugarte e a Esteves são pura e simplesmente ridículos, o penálti, nas barbas dele, precisou da intervenção do VAR, e houve vários lances menores mal ajuizados. Tudo revisto, foi uma vitória importante, segura, mas sem brilho.
