FORA DA CAIXA - A opinião de Joel Neto.
O lado frágil: onde rebenta a corda
A desistência dos clubes madeirenses do Campeonato de Portugal deve ser somada às maiores tragédias provocadas pela covid-19 no desporto português, e não às menores. Desde já, há uma série de outros clubes prejudicados, pois tinham pontuado mais do que os adversários nos jogos já realizados frente a eles. Mas, sobretudo, pergunto-me o que será dos jogadores.
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Da Segunda Liga para baixo, como numa série de outras modalidades, muita gente aproveitou os confinamentos e as descontinuações do ano passado para cessar, amputar ou simplesmente deixar de pagar contratos. Digo "aproveitar", mas não é disso que se trata: nem sequer havia dinheiro, tratava-se de sobreviver.
Infelizmente, a corda rebenta sempre do lado do funcionário, tão mais precário quanto mais modesto for. Até quando o Governo vai deixar o sector sem um plano de contenção e recuperação em condições, e aliás incluindo pobres e menos pobres?
O meu desafio: juntem-se a Rafael Leão
A resposta de Rafael Leão às tiradas chauvinistas de André Ventura é um gesto nobre a que os futebolistas, em geral, deviam associar-se. É preciso não esquecer que muitos jogadores vêm de bairros sociais e que muitos adeptos vêm de bairros sociais também.
O ambiente político em Portugal começava a ficar irrespirável, mas os debates presidenciais ameaçam deixar o demónio ligado à máquina. Talvez o futebol, uma das indústrias mais inclusivas que temos, pudesse ajudar a desligá-la.
