Treinador do Atlético de Madrid pode até ter exagerado no gesto, mas provou em campo que tem uma equipa de tomates
O gesto de Diego Simeone, levando a mão aos genitais após a validação do primeiro golo do Atlético de Madrid frente à Juventus, provavelmente irá valer-lhe um castigo severo à luz da regulamentação da UEFA, mas dificilmente haveria, em linguagem de futebol, modo mais adequado de explicar o que estava a acontecer. A equipa madrilena entrou em campo com o arreganho e a impressionante capacidade de luta que lhe estão no ADN, controlou a teórica superioridade técnica da Juventus e, então, o treinador passou à fase seguinte: fez três substituições para tentar ganhar e conseguiu-o por uma margem que o deixa em posição bastante otimista para seguir rumo aos quartos de final da Champions. Por isso, o gesto de Simeone foi tudo menos ofensivo, estava a falar para os dele. Afirmar que o Atleti é uma equipa de tomates nem sequer é referência sexista; é um identificador, uma espécie de carimbo. Podem testemunhá-lo as empresárias portuguesas que revitalizaram e fizeram de empresas familiares potentados económicos e em outubro participaram no certame "Mulheres com tomates". E só uma é da área da restauração...
O Atlético de Madrid é um dos melhores sinónimos de equipa que se pode encontrar. O querer, a união e o trabalho coletivo permitem-lhe ir para além dos limites. Basta fazer um exercício simples: no tocante a valia técnica, quantos jogadores do Atlético seriam titulares na Juventus? De caras, se calhar só o guarda-redes. E quantos artistas do lado contrário jogariam com Simeone ao comando? Todos, ou quase, porque os que precisassem mudariam a atitude ou iam-se embora. De qualquer modo, não é garantido que, em Turim, apenas a força dos genitais valha a eliminatória.
