OPINIÃO SÓNIA CARNEIRO - Dispomos de um produto apetecível, com um mercado interno amadurecido, com mercados espalhados por todo o mundo que é preciso explorar
A Alfândega Nova do Porto, que, apesar do nome, já é sesquicentenária e não mantém funções aduaneiras, recuperou, esta semana, o papel de plataforma de encontro de produtos e ideias. Produtos que dispensam os vastos armazéns do majestoso edifício da margem direita do Douro, porquanto se discutiram bens imateriais: os direitos audiovisuais das competições desportivas profissionais, Liga Portugal Bwin e Liga Portugal SABSEG.
A intangibilidade destes direitos, longe de os tornar menos valiosos, é a sua força. Numa altura em que as cadeias de distribuição mundiais se encontram em rutura, dispomos de um produto apetecível, com um mercado interno amadurecido, com mercados espalhados por todo o mundo que é preciso explorar cujo potencial é cada vez mais evidente.
Com efeito, a possibilidade de libertação de valor na venda dos direitos para os mercados internacionais é um dos vetores em que assenta o cenário prometedor afirmado pela EY no estudo internacional divulgado, em primeira mão, à VII Cimeira de Presidentes.
Depende, porém, de um fator: que a venda dos direitos audiovisuais dos campeonatos organizados pela Liga Portugal seja feita de uma forma centralizada, em conjunto e em benefício de todos: clubes, adeptos, Liga, operadores, distribuidores e Estado.
É uma ambição antiga, difícil de concretizar, mas cujo processo se tornou irreversível desde que um Governo corajoso, aceitando o repto da Liga Portugal e dos seus clubes, submeteu ao Presidente da República o decreto-lei que determina as regras relativas à comercialização centralizada dos direitos de ambos os campeonatos profissionais a partir da época 2027/28.
Com a expectativa de que os benefícios cheguem a todos, diretamente, através do incremento do que cada um recebe e, indiretamente, através de maior competitividade e interesse das competições portuguesas, não foi surpresa constatar a adesão unânime dos presidentes do futebol profissional ao projeto. Entusiasmo sublinhado pela instância à Liga Portugal para que de imediato ("Podia ser já ontem!") nomeie e faça reunir o Comité dos Direitos Audiovisuais, em vias de ser nomeado para estudar os critérios com que se dará este grande passo e a forma de distribuição dos proveitos que se esperam.
A coragem de assumir bandeiras controversas nem sempre resulta bem. Há até quem apelide de "irresponsável" os destemidos. O resultado que agora, todos alinhados, perseguimos é um tributo ao acerto da medida e uma homenagem à maturidade do futebol profissional.
