É só juntar público e a UEFA encontrou a fórmula perfeita para a Champions.
Um dia depois de a final da Champions consagrar um Bayern Munique sólido e consistente, capaz de cavalgar toda a prova apenas com vitórias, e ler também as possíveis consequências de só poder ganhar um - o Barcelona entrou em crise profunda, o PSG vai fazer rolar cabeças - é tempo de olhar para o que foram estas jornadas de futebol em Lisboa. Doze dias, sete grandes jogos, cada um a parecer deixar o seguinte obrigado a fazer mais e melhor. Isto foi fantástico!
Fechemos os olhos e esqueçamos ter-se tratado de uma solução de recurso devido à pandemia.
Façamos de conta que, afinal, não teve nada a ver com maleitas de saúde pública e tratou-se, isso sim, de uma versão experimental com vista a um novo figurino. É indispensável nesse exercício pensar no futuro e lotar as bancadas de público ordeiro e barulhento. Não estaríamos hoje todos a clamar pela aprovação desta inovação? Acredito que pelo menos a maioria aplaudiria fervorosamente a ideia.
Sete jogos com características de finais, futebol de qualidade para ver em dias consecutivos - até a combinação de datas com a final a oito da Liga Europa foi perfeita, acrescentando uma espécie de sete finais B -, resultou numa experiência do outro mundo. Quem gosta de futebol, ao apreciar a final da oito de Lisboa, terá pensado que o futuro estava a passar por ali.
Já agora, quando a UEFA perceber a sério que tropeçou na fórmula perfeita e tiver a solução económica para os clubes não lamentarem a perda das receitas referentes aos jogos em casa, será bom voltarem a lembrar-se de Portugal quando for para dar dinheiro a sério. A gratidão é bonita.
