Houve coragem de proibir público no MotoGP em Portimão, mas será mais difícil esquecer a ausência de critério em casos anteriores.
Pondo de lado teses negacionistas e outras que, apesar de não questionarem a pandemia, revelam ignorância ou mero interesse particular (pessoal ou corporativo), importa perceber por que razão estamos a entrar em nova fase de confinamento, mesmo que não generalizado: é um esforço de toda a comunidade para impedir a rutura da assistência de saúde pública (vulgo Serviço Nacional de Saúde).
12984974
Sem os nossos médicos, enfermeiros, assistentes hospitalares e até voluntários, o cenário seria apocalíptico. Exceto, claro, para quem pode recorrer à medicina privada.
É vital que o curto cobertor - o SNS - não destape todo o país, contando com as restantes doenças e maleitas, já que umas não descuram as outras, ao contrário dos argumentos dos "Qualquer-Coisa Pela Verdade", que até sobre o seu currículo mentem.
Por outro lado, e com razões sobejantes, há sectores de atividade que têm sido mais fustigados do que outros. E houve critérios questionáveis. Aparentemente, as palavras do primeiro-ministro assemelham-se a um "mea culpa", sobretudo quando, no seu discurso de ontem, assumiu como inaceitável o que se passou no Grande Prémio de Fórmula 1 em Portimão. E, consequência disso, proibiu a presença de público na próxima etapa do MotoGP, no mesmo autódromo, entre 20 e 22 deste mês. Pouco ou nada disse sobre o regresso dos adeptos às bancadas da I e da II Liga.
É deduzível que o regresso dos adeptos às bancadas da I e da II Liga seja adiado, apesar dos vários testes-piloto protagonizados por FPF e Liga
Mas é deduzível que seja adiado, apesar dos vários testes-piloto que a FPF e a Liga protagonizaram, sob vigilância da DGS. Há três meses fazia mais sentido reclamar o público e as receitas que disso advêm. Mas, com o recorde de internados batido ontem, com as dezenas de mortos diários e com o número de infetados a bater máximos a cada dia que passa, parece-me que o esforço coletivo pedido por Costa determinará o adiamento da pretensão dos clubes. O que faz rezar por algo quase mitológico: que os critérios sejam coerentes.
