RUGIDOS DO LEÃO - Além da formação, espreme-se e sobra pouco. Falta liderança e um caminho claro em Alvalade.
1 - Já se percebeu que o futebol voltou e com ele as manobras de bastidores, as polémicas estéreis e os processos judiciais. Tudo normal, até o anúncio da NOS a largar o patrocínio da Liga profissional a partir de 2022. Parece difícil de fazer entender a estes senhores que a prioridade não é jogar em casa, mas contribuir para a atratividade do setor, uma maior concorrência e, por inerência, mais receitas. Para o Marítimo isso passa, por exemplo, por impugnar a subida do seu rival Nacional. Carlos Pereira no seu melhor.
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2 - A COVID-19 tem servido para todo o tipo de desculpas, a começar pelo acerto de contas na Liga. E os mais ruidosos são os mesmos de sempre, Benfica, FC Porto, Braga ou Marítimo. Uma coincidência por certo. Em Alvalade também serviu para a saída, em pouco mais de 2 meses, de 4 membros dos órgãos sociais. Parece que o vírus apenas afetou os afazeres profissionais dos dirigentes leoninos. Algo se passa, sendo certo que este sinal de instabilidade diretiva e incapacidade interna de liderança e agregação são sinais preocupantes e já uma imagem de marca deste mandato de Frederico Varandas. São muitas mudanças e saídas para quem está há tão pouco tempo em funções (18 meses), incluindo 3 treinadores. Uma coisa tenho por certa, em plena pandemia, a última coisa que precisamos é de uma crise diretiva em Alvalade, sendo incrível que não se tenha conseguido aproveitar a acalmia que o vírus trouxe ao país (e ao clube) para arrumar a casa. Desta vez não foram nem as claques, nem as críticas de sócios e adeptos.
3 - Frederico Varandas deu uma entrevista esta semana de uma hora e meia. Esteve melhor que o costume, comunicou melhor, mas as suas fragilidades e inconsistências continuam todas lá. Foi uma entrevista para falar de problemas e muito menos de soluções, caminhos e estratégia. Houve muitas fezadas, em Matheus Nunes e Rúben Amorim, como já houvera com Keizer, Silas ou Jesé e Bolasie. E houve muitas contradições. Jesé de número 9 passou a solução de recurso - quem se pode esquecer da inenarrável entrevista de setembro deste ano - e a última época passou a ser a mais complicada do mandato, quando em agosto se afirmou que a fasquia era fazer melhor que na época anterior. Falou-se em dívidas de 51 M€ a fornecedores e esqueceu-se que temos lá agora 47 M€. Fala-se de uma titularização de créditos - no fundo um adiantamento de dinheiro sobre um crédito certo (contrato da NOS) a um juro de 8% - como se tratasse de uma operação de especial complexidade. Mas, sobretudo, fala-se muito do passado e menos da estratégia para resolver os problemas do futuro. Além da formação, espreme-se e sobra pouco. Falta liderança e um caminho claro em Alvalade.
Varandas esteve melhor que o costume, comunicou melhor, mas as suas fragilidades e inconsistências continuam todas lá
4 - Felizmente, muitos sportinguistas se têm envolvido na discussão pública de temas estruturantes do clube. Dias Ferreira, Miguel Poiares Maduro, Carlos Cruz, Pedro Azevedo, Rui Calafate, Tomás Frois, Carlos Vieira, só para citar alguns. São artigos que merecem ser lidos e refletidos, pois abordam matérias que carecem de debate e consensualização. Modelos de governação, alterações estatutárias e a maioria na SAD serão os temas a referendo nas próximas eleições. E este é o momento, pois o debate deve ser profundo, plural e fora da espuma da polémica eleitoral. O que importa é que nas próximas eleições se discutam modelos, projetos e menos nomes para as Comissões de Honra. Seria uma novidade em Alvalade.
5 - Em relação ao debate em curso, muito haverá a dizer, mas para os defensores da venda da maioria do capital da SAD parece haver uma contradição insanável entre detenção do capital e controlo da gestão. Um e outro não têm de estar totalmente alinhados, sendo certo que a entrada de um qualquer investidor não é de todo garantia de uma gestão profissional e alinhada com os interesses desportivos do clube. São tantos os exemplos. Mas a perda da maioria é garantia que o Sporting CP deixa de ter o seu destino nas suas mãos. O clube não precisa de milagres. Precisa de tempo, uma liderança, de transparência, envolvência dos adeptos, estabilidade e muita ambição. Precisamos de um caminho, um projeto e uma equipa à altura dos legítimos anseios de milhões de sportinguistas.
