Não é por acaso que neste século só uma equipa fora do Big 5, o FC Porto, atingiu a final da Champions
A presença de quatro equipas inglesas nas duas finais das provas da UEFA não é obra do acaso ou fruto de um alinhamento de fatores aleatórios. Pelo contrário, tem tudo a ver com a dicotomia ricos e pobres. A parte curiosa, e cada vez mais frequente, são as finais fratricidas, porque a questão é outra: finalistas saídos do mesmo lote. Será por acaso que neste século o FC Porto foi único finalista da Champions a não pertencer ao Big 5 (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França)? E que o anterior tinha sido o Ajax em 1995/96? É óbvio que não. Um clube fora da elite dos poderosos pode, pontualmente, construir uma equipa de sonho, como foi o FC Porto de Mourinho, mas essas "foguetadas" terão cada vez mais carácter de exceção. Emblema que consiga sair da caixa sem autorização, no ano seguinte é devorado pelo poder económico dos tubarões. O Ajax esteve perto de atingir a final desta Champions fantástica, mas bastou-lhe anunciar-se como surpresa nos oitavos de final para ficar sem os craques.
As últimas cinco finais dos Campeões tiveram equipas espanholas sete vezes, Real e Atlético defrontaram-se em duas delas. O Bayern esteve em quatro decisões neste século, o Milan em três e a Juventus em duas, tal como Liverpool e Manchester United. Está mais do que explicada a vontade da ECA e da UEFA caminharem para uma superliga fechada.
Do Big 5 só os franceses não têm lá chegado por terem um campeonato demasiado fraco para fazer do PSG uma equipa forte entre os mais fortes. Mas há por lá mais dinheiro do que por cá, é mais fácil a aproximação. Para quem gosta de acreditar em contos de fadas, fica um alerta: a Inglaterra tem dominado o futebol de formação nos últimos anos, ainda assim, a soma das quatro equipas inglesas que vão às finais usaram nas meias-finais nove jogadores ingleses como titulares. Sintomático!
