Um texto de opinião de Carlos Machado
Perder Marega foi o grande dano sofrido pelo FC Porto na visita a Guimarães. Os dois pontos por lá deixados terão maior ou menor importância à medida do desenrolar da Liga e a parte que poderá tornar-se complicada para Sérgio Conceição é enfrentar as muitas batalhas seguintes sem contar com o maliano. Marega não é um futebolista de quem se goste do ponto de vista estético do futebol, nunca será um jogador excecional, mas assumiu uma importância vital no funcionamento do campeão. O FC Porto não tinha um jogador tão marcante desde Hulk. Marega não tem o tiro nem a capacidade técnica do brasileiro, mas apresenta a mesma imponência física e também mete medo. Sim, mais do que respeito, Marega mete medo, porque além dos golos que vai marcando, provoca estragos de monta nas defesas adversárias.
Sem Marega, Sérgio Conceição terá de reformular o ataque (ou a forma de atacar) mais uma vez. Na época passada começou com Aboubakar e Soares; por lesão do segundo, entrou Marega, primeiro da direita para o meio, depois como um de dois homens de área, tendo evoluído até ser avançado de referência. Ao longo da temporada, as lesões foram mudando as duplas e na campanha em curso não foi diferente. Aboubakar está fora há meses, agora caiu Marega. Restam Soares e a alternativa premonitória da contratação de Fernando, mudando só as personagens e mantendo a forma de jogar, ou readaptando a fórmula Champions desta época, com um só homem na área e a introdução de um terceiro médio. Otávio já jogou como segundo avançado, uma espécie de nove e meio a misturar sistemas de jogo. A assunção do 4x3x3, com o regresso de Danilo e maior raio de ação para Óliver e Herrera, é alternativa.
Soluções, Conceição tem. Outro Marega, não. A questão é ensinar a equipa a viver sem ele de um modo ajustado. Na época passada esteve fora duas vezes e no fim o FC Porto teve uma história feliz para contar. Mas é um desafio. E dos grandes.
