DRAGÃO DO SUL - A opinião de Paulo Baldaia, aos domingos n'O JOGO.
Agora, que o Futebol Clube do Porto já conhece o adversário dos quartos-de-final, estamos no momento exato para tornar túrgida a azia dos anti-portistas. Sabemos utilizar a bazófia que os deixa mal dispostos por efeito dos humores que encerra. Uma bazófia que só nós podemos fazer, porque só nós andamos lá. Não dispensamos este momento!
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Sabemos como lhes sai fácil o verbo em qualquer circunstância, porque ganhamos e porque perdemos. Estão treinados. Não tendo que apoiar os clubes deles nestas andanças europeias, sobra-lhes tempo para ensaiar argumentos sobre a sorte que nos acompanha. A nós, basta-nos apelar à memória dos caminhos que percorremos recentemente. Fora dos quatro principais campeonatos (Inglaterra, Alemanha, Espanha e Itália), o FCP é líder destacadíssimo e é respeitado por toda a Europa... Toda? Não! Uma aldeia chamada Lisboa, povoada por irredutíveis aziados, resiste.
Nós seguimos em frente. Já fizemos todas as contas e descobrimos todas as coincidências, num caminho que em tudo se assemelha ao que fizemos em 2004. Ganharemos agora ao Chelsea como ganhámos ao Manchester e derrotaremos o Real como derrotámos o Corunha. Na final, ganhamos, venha quem vier, disso estamos absolutamente certos. Se depois não for exatamente assim, queixem-se dos deuses que não terão feito bem o seu trabalho, não se queixem de nós, que somos ambiciosos, mas não somos de errar em contas fáceis de fazer.
Foi sobre nós que o Tuchel mandou pedir informações à Juventus. E é sempre assim. Sabem porquê? Porque somos nós que andamos lá.
Aos aziados da Segunda Circular e à rapaziada do Komentariado futebolístico importa apenas repetir o seguinte: neste exato momento, há oito equipas que dependem de si próprias para serem campeãs europeias e uma delas é portuguesa. Dê por onde der, nós já ganhamos. Foi sobre nós que o Tuchel mandou pedir informações à Juventus. E é sempre assim. Sabem porquê? Porque somos nós que andamos lá. Percebam isso e não façam figuras tristes. A azia fica mal na fotografia.
Verbo de encher ou a confirmação de uma inutilidade
O Governo volta a discriminar o futebol com o argumento de que os adeptos não se sabem comportar. Não lhes importa saber que nos jogos europeus do ano passado em que houve público correu tudo bem, nem que nos testes que se fizeram nos Açores também não houve nada a registar. Sobre esta discriminação, falaram Jorge Nuno Pinto da Costa e o presidente da Liga, Pedro Proença. Os outros são ricos e não precisam da bilheteira para nada ou então contam que o Governo lhes dê uma ajuda pela porta do cavalo. Não seria a primeira vez, reveja-se a história do BES/Novo Banco.
Inacreditável é mesmo a confirmação da inutilidade do secretário de Estado do Desporto. "Genial", na entrevista à Bola, justificando a ausência de público nos estádios por causa do que aconteceu na Fórmula 1 no ano passado. Calado que andava por não ter nada para dizer sobre este assunto, foi dos que foi enganado pela apresentação do plano de desconfinamento e a previsão de abertura ao público de eventos exteriores. Não podia haver maior prova de que, se houvesse o regresso do público aos estádios, não teria nada a ver com a acção de João Paulo Rebelo.
Estimo que a vida pessoal lhe corra bem, mas peço-lhe que perceba que a vergonha já não tem tamanho. Prossiga a sua carreira política, fazendo de emplastro ao lado da autoridade máxima que visitar a região centro no combate à pandemia, mas peça escusa para a pasta que ocupa. O Desporto está a passar uma das maiores crises de sempre e precisa de um governante que faça alguma coisa que vá para lá da propaganda.
