JOGO FINAL - Carlos Machado, chefe de redação de O JOGO, escreve hoje sobre a passagem do FC Porto aos quartos de final da Liga dos Campeões
O FC Porto continua a nadar no tanque dos tubarões. Quando se junta querer, crer e carácter o objetivo fica mais perto.
Atingir os quartos de final da Champions é um feito assinalável para qualquer equipa. Sendo portuguesa tem um valor acrescido pela desigualdade de meios com que mergulha no tanque dos tubarões. O FC Porto chegou lá e continua a nadar, está entre as oito melhores equipas da Europa, somou mais 10,5 milhões de euros aos 68,4 conseguidos antes, mas foi igualmente importante a forma como ganhou. Uma demonstração de querer, crer e carácter.
Quando um jogador (Soares) marca o 1-0 de toda a ilusão a pouco mais de meio da primeira parte e dois ou três minutos depois dobra o defesa-esquerdo e festeja o corte, percebe-se o espírito e fica-se com a certeza de que estão reunidas todas as condições para tudo correr bem. Foi assim, a equipa deixou a pele em campo, perto do fim Pepe tirou a Dzeko uma bola de golo ao premonitório minuto 112 e também festejou; Herrera e Marega fizeram piques de uma área à outra no tempo de compensação do prolongamento e com a eliminatória já no bolso. O FC Porto é este exemplo de união e trabalho, comete erros, dá trambolhões e levanta-se para perseguir o sonho.
Com o Benfica, os portistas ficaram-se pela vontade, à muita produção atacante (principalmente na segunda parte) faltou qualidade, a clarividência andou arredia. Ontem, foi ao contrário. O grupo juntou àquela vontade louca, àquele fanatismo religioso, a lucidez de uma equipa de alta rotação. O onze fazia sentido, o plano era bom - Corona partiu tudo e estica muito mais o jogo do que Brahimi -, da teoria à prática continuou a correr bem.
