RUGIDOS DO LEÃO - Bruno não entende que a cultura de ódio e divisionismo que pretende implementar não é tolerada pela maioria dos sócios do clube.
Bruno de Carvalho não entendeu nada do que lhe sucedeu há um ano atrás. A prova disso mesmo é a lamentável entrevista que acaba de dar ao "Expresso", culpando tudo e todos por não compreendermos o génio que ficou dentro da lâmpada. Contudo, ao contrário do que reza a lenda, esfregamos, esfregamos e não sai nada. Apenas o desejo que este carnaval termine de vez. Ouvindo Bruno, percebemos que somos todos culpados e incompetentes, menos o Grande Líder que os escolheu, o que diz tudo, aliás, sobre as capacidades de liderança do próprio, saliente-se. Bruno é daquelas raras estirpes de líderes que não sabem escolher quem os acompanha. Não deve ser fácil conviver com tal realidade. Também não há qualquer assomo de responsabilidade ou autocrítica. Bruno limita-se a vitimizar-se numa prova de imensa fragilidade. É um grande líder com pés de barro. Pelo meio, solta a sua pequena legião de indefetíveis, num combate fratricida com o Sporting e os sportinguistas de quem parece estar farto. É tempo, pois, de resolver esta relação esquizofrénica e devolver o sossego a Bruno. Ele precisa e sobretudo o Sporting merece.
Nunca tendo sido um apoiante de Bruno de Carvalho, reconheço-lhe vários méritos nos primeiros anos de mandato. Fez obra, revitalizou a paixão leonina e criou a ilusão do sucesso no futebol que nunca chegou a concretizar. Bruno podia ter mudado a história, mas a sua sede de poder e protagonismo ajudaram - assim como uma comunicação desastrosa e escolhas erradas no mercado de inverno - a derreter uma vantagem de sete pontos para o seu rival. E aqui começou o princípio do fim.
No próximo dia 6, perante os seus pares, Bruno deverá ter a oportunidade de falar e explicar a dimensão dos seus erros. Deverá poder explicar por que motivo criou órgãos ilegais, recusou aos sócios a realização de diversas AG, mergulhou o clube num combate fratricida, bloqueou acesso às instalações do clube, dividiu os sócios, insultou os seus oponentes, criando as condições para conduzir o clube ao abismo financeiro, desportivo e identitário. Bruno arrastou consigo o clube para a maior crise desportiva, cultural e fundacional do SCP.
Bruno não entende que nenhum de nós está acima do clube, dos seus valores e da sua identidade. Apesar da sua inteligência e perspicácia ímpares, Bruno continua a não entender o que lhe sucedeu. Que foi ele que escolheu Jaime Marta Soares, apesar de ser percetível que não dispunha de quaisquer condições para ser o máximo representante de todos os sportinguistas. E que, apesar da sua capacidade única de liderança, desbaratou o capital de confiança que uma larga maioria dos sócios lhe confiara. Bruno não entende nada disto, mas sobretudo não entende que a cultura de ódio e divisionismo que o mesmo pretende implementar não é tolerada pela maioria dos sócios do clube. Que é impensável cultivar uma clivagem geracional ou catalogar os sócios do Sporting em função dos seus próprios interesses pessoais.
No próximo dia 6, espero uma enorme demonstração de vitalidade do clube, mas sobretudo que seja uma assembleia geral em que prevaleça o civismo e o respeito por todos, pois é tempo de encerrar este capítulo, sabendo que acima de cada um de nós estão os interesses do Sporting Clube de Portugal.
Na semana passada, escrevi que o jornal "A Bola" era o "Avante" do Benfica. Pois confesso que me enganei e por isso peço desculpa aos leitores. "A Bola" é mesmo o "Pravda" do desporto nacional. Colocar numa capa que o Benfica vai receber o pagamento de João Félix a pronto, quando o clube da Luz comunica que a proposta do Atlético contempla o pagamento a prestações é digno dos melhores tempos de propaganda soviética. Ora, o Benfica receberá a pronto pois vai descontar o contrato junto da Banca, antecipando o pagamento do contrato e transferindo os custos financeiros da operação para os madrilenos. Parece igual, mas não é a mesma coisa e exige-se mais rigor jornalístico.
Por fim, não posso deixar de saudar todos aqueles que começam a acompanhar-me na luta contra a política despudorada de empréstimos de jogadores que vigora no futebol português. São dezenas de jogadores comprados sem outra finalidade que não seja a de controlar e condicionar os clubes mais pequenos, adulterando a competição e a integridade da mesma. Esta é uma matéria que continuarei a denunciar e no final do mercado faremos o balanço. Cádiz é bom jogador, mas veremos quantos minutos calçará no Estádio da Luz.
