DENTE DE LEÃO - Um artigo de opinião de Marcos Cruz.
Ganhámos, c...! Mais um troféu para o museu, o quarto na vigência ainda curta de Rúben Amorim, a fazer-nos sonhar com muitos mais.
E fizemos por merecê-lo, ainda que frente a uma equipa depauperada, incapaz de ser mais do que o golo que marcou.
O Benfica está nas ruas da amargura e eu não tenho pena nenhuma. De amargo só me fica a nossa incapacidade de perceber a falta de argumentos do adversário e cair em cima dele com outra imponência, aquela que resolve cedo e não se põe a jeito de um golpe de azar, que tanto poderia ter acontecido neste jogo como no que fizemos contra o Santa Clara. Devo, a propósito, para bem da minha consciência, dizer que a final se deveria ter disputado entre o Santa Clara e o Boavista, outsiders que deram tudo e mostraram querer mais inscrever o seu nome na história do que qualquer dos oponentes. Mas o destino ditou que a decisão das decisões se disputasse entre os dois rivais de Lisboa e não acredito que haja um único benfiquista com o topete de questionar sequer para onde ela pendeu, tal a superioridade do Sporting.
Fomos a única equipa a querer verdadeiramente vencer, o Benfica dispôs-se em campo como uma equipa pequena, à espera dos momentos que lhe saíssem em sorte para contra-atacar e visar a nossa baliza. Aconteceu uma vez, uma, e deu golo. Muita fortuna já tiveram eles. Fomos superiores nos capítulos físico, técnico e táctico, ainda que possamos e devamos ser mais confiantes e ambiciosos, o que nos levará, porventura tardiamente em termos de luta pela conquista do campeonato, a uma maior assertividade. Mas tudo bem, aceito que sejam dores de crescimento, como alega o treinador, e que tenhamos inevitavelmente de passar por elas. Se não renovarmos o título, ao menos que aproveitemos para nos tornarmos mais cientes da dificuldade e da exigência que esse objectivo comporta. E que saibamos aprender com um eventual revés para compor uma equipa à prova de todas as circunstâncias e vicissitudes, como lesões, rasteiras da pandemia, quebras de forma ou castigos.
Ontem gostei do compromisso da equipa e do rigor com que os jogadores interpretaram o que lhes era pedido, embora não possa deixar de assinalar, até para que ele se toque, o desacerto de Feddal em passes simples, a causar calafrios perfeitamente dispensáveis que só não levaram perigo à baliza de Adán porque do outro lado estava um onze confrangedoramente inepto. Na verdade, embora este seja um momento de festejo, há mais reparos a fazer: Pote é uma sombra do que foi, precisa de uma tomada a que se ligue para voltar a dar luz ao jogo, e Neto nunca devia ter ficado àquela distância de Everton, um fantasista rápido que, embora aparecendo apenas de longe a longe, na hora da decisão não costuma tremer. No mais, estão todos de parabéns. Saúdo sobretudo o regresso de Porro, um futebolista electrizante, e a progressiva afirmação de Matheus Reis, o patinho feio que se transformou num cisne. Vamos para mais, equipa!
