Perante tão grande diferença de forças, ninguém poderá culpar Jesualdo Ferreira de jogar "à pequeno" contra o FC Porto. Neste momento, é capaz de ser o caminho para os leões
Uma semana antes do pontapé de saída, o Sporting-FC Porto começou a ser jogado por Jorge Jesus. O treinador do Benfica é uma das partes mais interessadas no clássico do próximo sábado e usou os microfones para espicaçar a equipa leonina, que ganhou milhões de adeptos emprestados para esta semana. "Agora, o Sporting joga com meia equipa B", atirou Jesus, minutos depois de ter cumprido a obrigação de bater o Paços de Ferreira e consciente de que a próxima palavra na luta pelo título pertence aos dragões. A intenção de Jesus foi clara: puxar pelo brio dos jogadores do Sporting, que conta ter como aliados no fim de semana. A "palestra" do técnico do Benfica talvez tenha mais efeito do que as palavras do próprio Jesualdo Ferreira, que se atirou aos seus futebolistas após a derrota no Estoril, num filme já visto esta temporada e até pelo antecessor, Franky Vercauteren.
Certo é que, nem com os tais milhões de adeptos emprestados, os leões terão vida fácil. O Sporting atual é uma equipa feita em farrapos, que fica perdida a meio caminho entre a responsabilidade histórica do clube e as condicionantes do plantel atual. Frente ao Estoril, a dupla de centrais foi constituída por dois futebolistas com 19 anos (Ilori e Dier). Juntos, acumulam um total de 11 jogos de primeira divisão. Leu bem: onze e os dois juntos. Não se pode dizer que tenham sido responsáveis diretos pelos três golos sofridos (bem pelo contrário), mas numa altura em que a equipa precisa de experiência, cabeça fria e fibra, é injusto pedir-lhes que sejam os heróis. Se voltarem a alinhar frente aos dragões (há a possibilidade de Rojo ser desviado para o centro, abrindo vaga para Joãozinho à esquerda), terão pela frente Jackson Martínez, uma espécie de tubarão do ataque que deteta sangue onde há balizas.
Por isso, é fácil perceber que o Sporting está a jogar contra tudo. Num momento como este, possivelmente não restará a Jesualdo Ferreira outra possibilidade que não seja a de tirar à sua equipa o fato de grande - que, valha a verdade, há muito tempo está uns quantos tamanhos acima do corpo do leão - e jogar de acordo com a realidade. Que, para os mais distraídos, é a seguinte: o Sporting é 11º, está a 30 pontos do primeiro lugar e tem o segundo pior ataque da Liga (o Moreirense tem menos um golo). Pegar no autocarro e estacioná-lo à frente da baliza pode não ser bonito e, como se viu no domingo na Luz, nem o Paços de Ferreira o faz, mas pode ser a única possibilidade de não perder com o FC Porto.
O Sporting tem obrigação de fazer mais do que isso? Claro que sim. Mas o Sporting atual pode fazer mais? Parece-me que não. Se usar o autocarro e conseguir parar o ataque portista, certamente que os sportinguistas o celebrarão como uma vitória. Ah, e Jorge Jesus também.
