A melhor amostra da capacidade de Paixao como o condutor de homens e construtor de sonhos está fresca
Cai um projeto, ergue-se um novo: Jorge Paixão é o sucessor de Jesualdo Ferreira no Braga. Uma decisão de risco ou uma simples aposta arrojada do presidente António Salvador, por ter deitado a mão a um treinador sem experiência no principal campeonato e que navegava a meio da tabela da II Liga? Sou suspeito, porque acompanho a carreira deste técnico desde o tempo em que ele laborava no Casa Pia (II B) e ajudava jogadores como Silvestre Varela na transição para o futebol sénior, mas vejo como corajoso o passo dado por Salvador. Será a primeira vez de Paixão no patamar mais alto, mas e depois? Está por conta da sua competência, tal como estiveram Leonardo Jardim no Beira-Mar e Rui Vitória no Paços de Ferreira, ou como está Marco Silva no Estoril, enumerando apenas percursos de três dos mais badalados treinadores da atualidade.
Todos eles começaram por baixo e foram capazes de subir a pulso. Esse é o desafio que a "surpresa" Paixão enfrenta até ao fim da época; e, para ser uma "certeza", basta-lhe que restitua qualidade exibicional à equipa, a qualifique para a Liga Europa e a apure para a final da Taça. Muito? Não, é o mínimo exigível a um plantel guarnecido de matéria-prima para subir rapidamente a categoria dos desempenhos. A melhor amostra da capacidade de Paixão como condutor de homens e construtor de sonhos está bem fresca e aos olhos de quem a quiser analisar: o Farense, que larga na 11ª posição, empatado com o Ac. Viseu (10º), estava "somente" moribundo, no último lugar da II Liga, com três pontos em sete jornadas, quando ele arregaçou mangas para o pôr de pé e lhe devolver a dignidade.
