Um artigo de opinião de Carlos Flórido, editor do jornal O JOGO
Portugal foi quarto no Mundial, nono nos Jogos Olímpicos e agora quinto no Europeu depois de ter sido sexto e sétimo, aproveitando uma geração única na sua história para consolidar a escalada no andebol internacional. Mas a sua atuação em Herning também provou que para o próximo passo, o dos pódios, será necessário crescer igualmente fora do campo.
Numa competição desequilibrada, com a maioria dos colossos da modalidade no mesmo grupo do main round, Portugal teve de superar o castigo incompreensível a Victor Iturriza - situações mais graves ficaram apenas pelo vermelho em campo -, o muito menor tempo de descanso antes da derrota com a Alemanha e ainda um golo ilegal dos germânicos no 32-30, que acabou por contar apesar de o erro ser reconhecido pela própria Federação Europeia (EHF).
Felizmente não teve peso nas contas finais, mas poderia ter acontecido, devido a outro dos erros de uma modalidade que parece ter finalmente percebido, perante críticas de treinadores e jogadores - o selecionador da Croácia foi demolidor -, possuir falhas básicas no seu modelo organizativo: o tempo de descanso entre jogos é insuficiente, fazer últimas jornadas com todos os jogos a horas diferentes permite combinações de resultados. Por coincidência, mas também por interesses comerciais, têm sido favorecidas sempre as mesmas seleções, as historicamente mais poderosas. Portugal, um dos organizadores do próximo Europeu, tem de fazer ouvir a sua voz.

