PONTAPÉ NA CANELA - Carlos Machado, chefe de redação de O JOGO, escreve hoje sobre o desempenho da equipa do FC Porto nos jogos do campeonato e da Liga dos Campeões
O FC Porto cumpriu em Portimão o compromisso interno de ganhar o jogo seguinte a um desaire. Sérgio Conceição não gosta de falar de gestão do plantel, mas não quer dizer que não a faça. Primeiro porque testar os limites também pode ser uma forma de gerir, depois porque, após uma preparação cuidada, o mais importante acontece no relvado.
Quem tem um plantel valioso, com jogadores de real capacidade sempre a bater à porta da oportunidade, aqueles que espantosamente não jogam só porque não cabem todos - como acontece com o Manchester City, por exemplo -, pode fazer as alterações que quiser sem arriscar quebras de rendimento. Se não joga o Chico, joga o Zé e corre tudo bem na mesma.
O FC Porto não tinha outra equipa para pôr em campo, os três que entraram só não jogaram em Liverpool por estarem indisponíveis.
Entre os que não têm a mesma capacidade financeira mas têm um foco e um plantel em que se torna fácil distinguir entre titulares e opções, os treinadores fazem uma alteração ou outra para ver se a coisa vai rolando. Trocar dois jogadores é um risco; se forem três, por muita que seja a confiança interna, já não é possível evitar a apreensão nas bancadas.
Sérgio Conceição não é diferente dos outros. Pensa em mais do que um jogo de cada vez. Pode é só preparar especificamente o seguinte, mas é impossível ignorar o que está para chegar. Tomemos como exemplo o jogo do FC Porto frente ao Portimonense, disputado na mesma semana em que aconteceu um superexigente jogo com o Liverpool, em Anfield, e a quatro dias de ter de ir para cima dos ingleses no tudo ou nada.
A equipa portista entrou na máxima força, e por máxima força entende-se o onze tido como melhor (ou mais utilizado, que é garante da premissa anterior). Em posição de vantagem antes de cumprido o primeiro quarto de hora, o campeão nacional entrou em modo de... gestão. E como é mais fácil fazê-lo quando se tem um jogador tão intenso como Herrera a jogar ao contrário!
Ou seja, o capitão aplicou a mesma força a defender e depois mandou nos tempos do jogo. Não interessava aos portistas continuar a cavalgar sobre um adversário perigoso e que tem no ataque rápido uma das armas de eleição. O FC Porto preferiu controlar as operações, amarrar o opositor e acreditar que, no momento certo, as mais-valias individuais e coletivas tratariam de conseguir a tranquilidade, como aconteceu.
O FC Porto não tinha outra equipa para pôr em campo, os três que entraram só não jogaram em Liverpool por estarem indisponíveis. Em caso de necessidade, se essa fosse a única forma de gerir a luta pelo foco principal, todos teriam os próprios limites físicos. Assim, com um golo cedo, esteve em campo uma equipa adulta e calculista. Uma equipa em gestão.
