Matthaeus ensinou a burlar o fair play da treta há mais de uma década. Para forçar um cartão não há método mais eficaz
Corona quis tanto estar nos oitavos de final da Champions que vai ficar de fora da primeira mão. A falta de habilidade para forçar o amarelo que o excluiu do último confronto da fase de grupos e deveria deixá-lo disponível para a fase seguinte levou a UEFA a considerar que a forma grosseira de provocar o cartão atentou contra as regras do fair play e suspendeu-o por dois jogos.
Este é que é verdadeiro fair play da treta. Os jogadores levam cartões em ações de jogo e depois os clubes gerem-lhes a utilização. Não estamos ante uma fraude, mas sim o uso de um expediente legal para poder ter os melhores nos jogos mais importantes. Errado a é a indústria do futebol estar refém de princípios de moral duvidosa, até por se tratar de uma ação que não acarreta prejuízo para terceiros.
Em causa no amarelo forçado não está o ato, mas sim a coreografia. Acontece que o futebol português, e o FC Porto em particular, já não deviam ser apanhados nestas patranhas. Em novembro de 2003, o capitão portista Jorge Costa, num jogo em casa com o Partizan, tentou por duas vezes - um lançamento lateral e um pontapé de baliza - perder tempo para ver o amarelo. À segunda, o árbitro disse-lhe: "Sei muito bem o que queres, se fizeres outra igual mostro-te o vermelho direto". Minutos depois, Lothar Matthaeus lenda do futebol alemão (e mundial), ao tempo treinador dos sérvios, disse ao Bicho: "Queres ver o cartão, mete a mão a bola". Assim fez. O árbitro sorriu e mostrou-lhe o amarelo. É simples, eficaz e mais fácil de encenar, porque, ao fim e ao cabo, é isso que está em causa. A história está contada na biografia de Jorge Costa.
