Não me incomoda nadinha que Cristiano Ronaldo tenha atirado a braçadeira ao chão
OPINIÃO de António Barroso - Não se percebe a ausência de tecnologia. Uma qualificação europeia para o Mundial sem VAR é desastrosa para a imagem do futebol
Não se entende, nos dias que correm, como UEFA e FIFA - as qualificações são europeias, mas o objetivo é o Mundial - não conseguem criar condições que garantam a qualidade de decisão do VAR e da tecnologia de linha de golo em partidas como a de ontem, marcada por um erro que perdurará mais do que a dúvida: a bola entrou ou não, após o remate de Cristiano Ronaldo?
Não me incomoda que Cristiano Ronaldo tenha atirado a braçadeira ao chão ou tenha chutado a bola depois do árbitro apitar, como fez Taremi
Creio bem que sim. Os frames de TV parecem inequívocos. Lembram-se como era o futebol há uns três anos? Era como ontem. Por muito que custe aos protagonistas esperar um par de minutos pela videoarbitragem, o golo sonegado à seleção portuguesa é o melhor dos argumentos contra os céticos do VAR. É verdade que nem todos os países têm o VAR a uso nos seus campeonatos. Mas a incapacidade de implementação da ferramenta em todos os jogos desta qualificação é risível. Em março de 2021 já não deveria haver partidas de alta competição sem VAR.
A verdade desportiva, mais do que um pregão de comentadores com conhecimento de vão de escada, travestidos com roupas da moda, obriga a um posicionamento muito mais eficiente do que a desculpa de que nem todos os países - nem todos os árbitros - estão habituados. Se a excelência é o objetivo, a coisa está muito nivelada por baixo. E, juro, nem me passa pela cabeça que o problema possa ser financeiro. Se há organização a quem não falta "guito" é a UEFA. E nem a desculpa da pandemia funciona, pois estas coisas pensam-se com tempo. Tempo esse que seria, com certeza, anterior à devastação económica provocada pelo novo coronavírus.
Outra coisa: não me incomoda nadinha que Cristiano Ronaldo tenha atirado a braçadeira ao chão ou chutado a bola depois do árbitro apitar, como fez Taremi... Só prova que é humano, como outros protagonistas quando se indignam sob intensa pressão. Má educação é roubar e enganar.
