Se o Benfica escrever "um final diferente", o alicerce da discussão à volta do treinador será o "renova ou não renova"
Fez agora dez meses. Contra tudo e contra todos, depois de a equipa ter capitulado nas decisões de campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal, o presidente do Benfica atravessou-se pelo "seu treinador". Fê-lo com duas facas na mão, é certo: "Para o ano teremos de repetir o que fizemos este ano e escrever, apenas, um final diferente. Temos condições para isso." O aviso de Luís Filipe Vieira foi um empurrão para uma rua de sentido único, mas o técnico Jorge Jesus, pese a nódoa do falhanço do apuramento para os oitavos de final da Champions, tem contraposto resultados, reeditando obra e percurso. E a folga na liderança da Liga quase duplicou - de quatro para sete pontos.
A mês e meio de se fechar a história, já dá para esfregar as mãos, sim senhor, e até para ajeitar aquelas luvas brancas guardadas na gaveta, mas com moderação, porque as feridas da época passada foram profundas e a pele ainda está sensível. Se Jesus tem insistido no título nacional como "objetivo número um", pouco faltará para que fale na Liga Europa como "prioridade número dois". É uma questão de dias, ou de conferências de Imprensa - cuja quantidade, porém, está a ser mitigada por "monólogos" de antevisão no canal do clube -, para que o treinador projete o que pensa dentro de casa. Como termina a narrativa, por mais exercícios de adivinhação que nos atrevamos a fazer, ninguém pode jurar certezas. O que parece seguro é que o arranque noticioso do defeso será outra vez rasgadinho e animado pelo futuro de... Jesus. Se o Benfica escrever "um final diferente", então o alicerce da discussão será o "renova ou não renova".
