É saudável constatar que a UEFA ajustou a posição e o discurso.
O massacre do confinamento dá mostras de começar a produzir resultados interessantes no campo das ideias. A prepotência inicial dos novos senhores da guerra - vamos querer muito atribuir a responsabilidade provocada pelo medo do desconhecido e não por qualquer arroubo despótico - está a afrouxar. No princípio a várias vozes, depois com Aleksander Ceferin a deixar claro quem vale a pena ser ouvido, a UEFA foi dando passos intolerantes, apontou caminhos como se pudessem ser os da verdade, mas terá sido chamada à razão e percebeu a necessidade de flexibilizar a postura.
À ameaça de exclusão pura e simples das provas europeias dos clubes cujas federações dessem por terminados os campeonatos, segue-se a adoção de princípios mais razoáveis, como passar a bola aos governos de cada país. A situação sanitária da Alemanha não é mesma de Itália ou de Espanha. Se para os alemães é líquido reatar a liga, italianos e espanhóis terão a mesma vontade mas menos certezas. Pelo que se ouve, lê e vê, em Portugal a esperança de voltar a jogar também faz sentido, isto se alguém encontrar definição nova para o termo.
Acabar os campeonatos é importante, mas devem os holandeses ficar de fora das provas da UEFA se o governo, invocando razões maiores, como a saúde pública, teimar em não permitir que se jogue antes de setembro? O mérito desportivo tem de ser salvaguardado... dentro do possível. Para o caso de não ser, o novo discurso da UEFA já faz sentido: a federação envolvida pode escolher outro meio de nomear os representantes desde que seja transparente. E será fiscalizado, o que é um descanso.
