Um artigo de opinião de Nuno Correia da Silva, administrador de empresas
O grande evento do futebol, o Mundial de 2026, está a aproximar-se, estamos a cerca de três meses do seu início. Será realizado em organização partilhada entre os Estados Unidos, México e Canadá.
Se o futebol já é o desporto rei, o Mundial é a festa rainha, onde os olhos de todo o mundo colocam o foco. No último Mundial, a média de espectadores por jogo foi de 175 milhões, não há outro evento que consiga projeção semelhante. Mas, mais importante que assistir pela televisão, é poder estar presente, sentir a atmosfera que só o futebol consegue gerar, todo o ambiente cosmopolita em que adeptos de países diferentes se cruzam, se desafiam num salutar clima de competição, mas também de convívio.
É exatamente a atmosfera cosmopolita que pode estar ameaçada com a atual política da administração americana. As imagens que nos chegam, recorrentemente, sobre o modo de agir da polícia de imigração, vulgo ICE, desencorajam qualquer vontade de viajar para os Estados Unidos. Todos vemos, ouvimos e lemos, testemunhos de pessoas que foram detidas primeiro e questionadas depois sobre a sua regularidade em solo americano. Imagens de grande violência, com filhos, crianças de tenra idade, a serem separados dos pais, com crianças de 5 anos a serem detidos, como foi o caso de Liam Ramos, o menino que posteriormente foi libertado por ordem de um juiz.Será esta América o lugar certo para realizar a maior festa do futebol?
Cada vez mais, o futebol é uma festa que mobiliza famílias, muitas vezes serve como motivo para reuniões alargadas de famílias que estão separadas geograficamente e no futebol encontram o fator gregário para voltar a reunir. Será que se aventuram a marcar como ponto de encontro os Estados Unidos? Será que arriscam a serem vítimas de uma qualquer investida do ICE sobre si e suas famílias? É uma pergunta que a FIFA deve fazer à Administração americana. A terra dos sonhos já mostrou que, com esta Administração, pode ser um pesadelo.

