Se a matéria-prima não serve o plano que Marco Silva tinha quando chegou ao Sporting, dar à equipa uma calibragem "resultadista" pode ser a salvação
Apontar o dedo em exclusivo ao treinador do Sporting por causa das vitórias que a lista de resultados deste início de temporada não reflete é um gesto feio, mas uma terrível tentação - como quase tudo o que se subordina ao instinto. As reflexões incidem nas falhas defensivas e na ineficácia ofensiva da equipa, mas, para quem assiste na plateia, o maior erro imputável ao treinador até à data é o de se ter deixado embalar pela vontade de corresponder pelo discurso à candidatura ao título nacional decretada pelo presidente. Em maio, quando assinou por quatro anos, Marco Silva acreditava que seria menos complexo impor as ideias e o modelo de jogo agressivo, ofensivo e de pressão alta que prioriza, porque confiava que teria maior voto na definição do plantel com que iria trabalhar. Porém, a escolha de jogadores foi tarefa que Bruno de Carvalho, enquanto líder, convocou "com orgulho" para os seus ombros. Mas é Marco Silva quem os treina e é ele que tem de tomar decisões urgentes, pragmáticas e, sobretudo, certeiras, pois, como se noticia desta edição, já foi apertado pelo presidente e sabe que um desastre no ciclo Gil Vicente, FC Porto e Chelsea lhe pode custar a cabeça. Se a matéria-prima não serve, para já, as intenções com que entrou em Alvalade, então compactar (ou retocar) o sistema e ajustar a estratégia, dando à equipa uma calibragem "resultadista", é um caminho - mas tem de mudar.
