Formar mentalidades é uma coisa, tirar partido dos melhores é outra
Mais Sporting na primeira parte, mais FC Porto na segunda. Radiografado sem as nuances dos ferros, das lesões ou das decisões de Olegário, que forçam alguns parêntesis, o jogo terminou como devia: empatado. O problema, comum aos dois, é que a leitura de um empate como este, normalíssimo, não se esgota nesta simplicidade porque, atrelado a ele, há já um histórico que vai fazendo mossa na tabela. Há ainda desconfianças que ganham raízes - por exemplo, a de que a este FC Porto vai faltando miolo. Não é o mesmo que faltar miolos, mas também não é assim tão diferente, e viu-se o desnorte enquanto Óliver não devolveu ao meio o fôlego tirado pela pressão do Sporting.
Outra achega: o romantismo da rotatividade, espécie de ode de Lopetegui ao coletivismo, como se não houvesse ninguém mais importante do que a equipa, esbarra na realidade, bem espelhada no falhanço egoísta de Tello. Para o bem e para o mal, o futebol também se faz de individualidades e saber tirar partido dos melhores, mais do que a obsessão de dividir salomonicamente oportunidades ou formar mentalidades, é o que compete a Lopetegui.
