DENTE DE LEÃO - Um artigo de opinião de Marcos Cruz.
Quis o destino que eu tivesse de escrever esta crónica antes do jogo de ontem. Não sabendo ainda, pois, como se portou o meu clube contra o Moreirense, as memórias mais frescas que trago vêm da jornada europeia, onde o Sporting revelou melhorias ao nível do ataque - outra coisa também não seria de esperar, com os regressos de Pote, Porro e Inácio - mas esteve longe de convencer no capítulo defensivo.
Enaltece-se por aí o facto de ter sacado nove foras-de-jogo ao adversário.
Enfatiza-se igualmente a capacidade de tirar rendimento das bolas paradas. São realidades irrefutáveis e traduzem a qualidade do trabalho em aspetos importantes do jogo, mas não chegam para atestar a consistência global do futebol apresentado. As bolas metidas nas costas dos nossos defesas continuam a provocar arrepios, embora sejamos a equipa menos batida do campeonato, e o aproveitamento dos lances de ataque deixa ainda muito a desejar. Se olharmos apenas aos números, Pote sai de Istambul como um elemento em destaque, porque marcou os cantos de onde vieram os golos de Coates e o penálti convertido por Sarabia, além de ter estado - mal, diga-se - na jogada que permitiu a Paulinho tirar os olhos do chão e apontá-los ao futuro, mas a verdade é que o craque leonino precisa de recuperar a intensidade e o compromisso da época passada para voltar a dispensar o auxílio da estatística. Assim que ele, Sarabia e Paulinho encontrarem a química certa, não tenho dúvidas de que a música vai ser outra, falta é saber se isso demorará muito, porque em futebol o tempo faz-se cobrar.
Entretanto, apraz-me registar que talentos extraordinários como Matheus Nunes e Daniel Bragança estenderam a sua ligação ao clube, sinal de sintonia com um projeto que, nas mãos de Rúben Amorim, tem realmente muito por onde crescer, assim não transija em segurar os melhores jogadores, até que das camadas jovens, ou de fora, surja quem os possa substituir para melhor. Nesse sentido, saúdo também a contratação anunciada de um prodígio ganês de 17 anos, o extremo Issahaku, que era pretendido pelo Liverpool. Já vi coisas dele que me impressionaram, como a velocidade, o toque de bola, a finta ou o remate. A fábrica leonina precisa destes diamantes, para que atrás de sonhos feitos realidade venham sonhos por realizar.
