O holandês rebentou com o índice de glicemia dos sportinguistas e já os tem pelo beicinho
O ataque mais ou menos desbragado tem sido uma ideia vencedora no campeonato português, pelo menos desde a chegada de Jesus ao Benfica. Com o tempo, a fórmula corrigiu-se um pouco e os clubes sacos de pancada também aprenderam a lidar melhor com ela, mas hoje está bem estabelecido que, para ser campeão, é preciso aprender a atacar com muitas unidades e a defender com menos.
O paradigma da equipa controlada e de controlo, de que o velho FC Porto foi modelo, perdeu-se, ainda que a Liga dos Campeões obrigue a jogar com regras estritas e algum juízo. Não é estranho que esta noção ou premonição do ataque massivo, mesmo antes de Jesus, tenha desembocado em treinadores holandeses e nas experiências anteriores a esta de Marcel Keizer, com Koeman no Benfica ou Co Adriaanse no FC Porto. De certa forma, falharam os dois; Koeman nos resultados internos (curiosamente) e Co Adriaanse nos golos prometidos, apesar de ter vencido campeonato e taça. Keizer é a terceira encarnação do mito holandês. Chega com o perfil tradicional - muitos golos marcados para muitos golos sofridos (estes não se confirmam, por agora) - e uma entrada a todo o vapor, coroada ontem com uma operação de charme por cima das vitórias e dos golos.
Ganhar na Liga Europa com seis jogadores da formação, incluindo quatro miúdos, é arrebatar, de uma maneira quase cruel, o coração sensível e maltratado dos sportinguistas. Neste momento, Keizer é o príncipe encantado por quem o Sporting solteirão já nem se atrevia a suspirar - e não serei eu a desmanchar-lhe o feitiço com elucubrações sobre o que, na Liga portuguesa, encaixa ou não encaixa no conto de fadas holandês.
