Liga, UEFA e Liga: o FC Porto ganhou a primeira prova de esforço aos outros candidatos e cresceu dois pontos em relação à quinta jornada de 2014/15
O prejuízo de uns é o lucro de outros. Ao ganhar o primeiro clássico do campeonato, o FC Porto de Julen Lopetegui foi também o grande vencedor da primeira prova de esforço (a três) da temporada, fechando uma semana carregada de jogos (e deslocações, uma das quais à Ucrânia) com duas vitórias na Liga e um empate na Champions. No que diz respeito à frente nacional, o desempenho positivo transporta os portistas para um patamar acima do atingido em idêntico naco de competição na época anterior: 13 pontos no bolso, mais dois do que os averbados ao fim de cinco jornadas em 2014/15. A pontuação que fixa os azuis e brancos no ponto mais elevado da tabela classificativa é uma reedição do que se viu, no período sob análise, em 2013/14 e 2011/12 - melhor do que este FC Porto, nos últimos cinco anos, só o de André Villas-Boas (2010/11), que simplesmente arrasou a concorrência na abertura da corrida mais apetecida (e nesse ritmo seguiu até à celebração do título...), multiplicando o êxito pelas cinco rondas iniciais.
Também em escalada, com mais quatro pontos do que na época passada, o Sporting de Jorge Jesus fez o que lhe competia (embora a custo) e aproveitou danos do clássico para, em parceria com os portistas, alargar a vantagem sobre o rival Benfica. Mas há sinais e evidências - que vão além desse embaraço em que se transformou o processo de renovação de André Carrillo - com potencial para deixar inquietos os leões, que abusam dos resultados de tamanho XS: dos quatro triunfos averbados na Liga, três foram arrancados à justa. Em abstrato, os mínimos valem tanto como os robustos, mas há uma diferença substantiva na confiança e na certeza que uns e outros são suscetíveis de gerar.
À equipa leonina falta-lhe ainda apresentar um futebol que convença e não apenas vença, porque se convencer estará sempre mais perto de vencer. A derrota encaixada na passada quinta-feira ante o Lokomotiv, na subida ao palco da Liga Europa, não pode ser apenas justificada pela alternância de jogadores em nome da prioridade "ser campeão nacional", tese que Jesus enfatiza sempre que no caminho se abre um alçapão. Correu mal porque ainda não há uma dinâmica ganhadora e contundente, e teria sido uma desgraça pegada se, anteontem à noite, o Nacional, jogando uma hora reduzido a dez unidades, tem aguentado o zero a zero até ao apito final de Fábio Veríssimo.
O derrotado da jornada acabou por ser o Benfica, pelo tombo direto no duelo com o FC Porto. O desfecho do clássico foi, no entanto, uma espécie de regresso à normalidade, se nos lembrarmos que, com Jesus ao comando, os encarnados só por duas vezes nos últimos seis anos haviam furado a regra de sair do Dragão de mãos vazias. Com Rui Vitória, as águias amealharam menos quatro pontos nesta fase madrugadora da competição do que há um ano, sendo ironicamente essa a diferença que define o atraso para os outros dois candidatos.
