PONTAPÉ NA CANELA - A opinião de Carlos Machado, chefe de redação de O JOGO.
Cristiano Ronaldo ganha quatro vezes mais do que Romelu Lukaku, segundo futebolista mais bem pago da Serie A italiana. O craque português aufere 31 milhões de euros/ano e o avançado do Inter 7,5 milhões, podendo acrescentar bónus até 1,5 milhões consoante as metas que for alcançando. A lista ontem dada a conhecer por "La Gazzetta dello Sport" revela também o nome de onze jogadores da Juventus na lista dos 20 que mais cobram.
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A rol dos pagamentos expressa a qualidade do plantel e explica facilmente os nove títulos consecutivos da Juventus. A diferença de Cristiano Ronaldo para todos os outros está explicada pela própria presença dele nos relvados italianos. A questão é se a própria Liga italiana não deveria comparticipar no salário do português. Ronaldo não representa apenas a ambição de reconquista europeia da Juve, ele é a bandeira da reconstrução de toda a Série, que já foi o mais apetecido e admirado campeonato do mundo e nesta altura nem sequer consegue pedir meças à Premier League inglesa, à La Liga espanhola ou mesmo a Bundesliga alemã, apesar de também ser dominada por um papão.
O Bayern não é bem uma equipa da Alemanha, como a Juventus pretende não ser de Itália. São dominadores locais a quererem mais, a pelearem com os melhores das principais ligas, aquelas que não têm um campeão apontado à partida numa quase unanimidade de palpites.
Ronaldo revalorizou e revigorou o futebol italiano. O investimento aumentou e a qualidade de jogo também, quanto mais não seja pelo desafio enorme de ganhar à equipa do CR7 ou de haver na liga quem marque mais golos do que ele.
Cristiano ganha quatro vezes mais do que o segundo jogador mais bem pago da Série A. Mas ele está a reconstruir a liga
O bem que a chegada de Ronaldo fez ao futebol italiano não tem preço, porque não engana: rende. Foi assim no Manchester United e no Real Madrid, é assim na Juventus e foi sempre na Seleção Nacional. Não vamos discutir loucuras salariais, porque elas existem e se existem Cristiano tem de estar entre os contemplados.
Atentemos no que está a acontecer no Real Madrid. Após a orfandade vivida em 2018/19 após a saída de CR7, o emblema merengue pagou 100 milhões de euros por Eden Hazard e ofereceu-lhe um salário de 30 milhões de euros/ano. Ontem, depois de se saber que a cotação do belga no Transfermarkt baixou 90 milhões nos últimos meses - de 150 milhões para 60 -, o diário "As" fez as contas: até ao momento cada jogo de Hazard custou 2,2 milhões de euros ao Real Madrid e em 22 participações marcou um golo. Lesionou-se seis vezes num tornozelo desde que assinou pelo Real (aí pode entrar na equação o departamento médico) e toda a gente lhe aponta o dedo por ter-se apresentado nas duas pré-epoca com excesso de peso.
Para além dos descuidos e das lesões, o problema de Hazard é não conseguir ser... Hazard. É apenas um substituto de Ronaldo e já andam à procura do seguinte. Não se pode procurar o que não existe, quem o tem aproveita-se a seguir segue outro caminho. Não é fácil e quem não o perceber está tramado. Em Manchester, 12 anos depois ainda dizem que a camisola 7 está amaldiçoada desde que a despiu. É simples: retirem-na e pendurem-na na bancada central, como fazem na NBA.
