FC Porto isolado num campeonato estranho.
Na jornada 26, o FC Porto ganhou dois pontos ao Benfica e, noutras circunstâncias, ou noutros anos, seria o suficiente para que muitos pensassem que o campeonato estava prestes a ser decidido.
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Mas neste mundo pós-covid não sabemos nada, tudo o que vemos olhamos com desconfiança e nenhum deles mostrou consistência nestes dois jogos. Muitas vezes parecem jogar mais contra si próprios e as suas insuficiências do que contra os adversários.
O campeonato volta já hoje e amanhã o FC Porto vai às Aves, último classificado e já desenganado (o treinador Nuno Manta fala já em acabar com dignidade). Ainda assim... O Benfica joga em Vila do Conde e terá pela frente uma boa equipa, mas que também está à procura das suas antigas referências e por isso mudou meia equipa de um jogo para o outro (e de derrota passou a vitória).
Ambos têm problemas de lesões e cartões e por isso volta a falar-se da formação, como acontece no Sporting, embora de forma um pouco diferente (os leões já vão buscar juniores mesmo... e temos visto como, com todo o seu talento, indiscutível, Fábio Silva precisa ainda de tempo e quilos). E esta é a nova discussão. Até Sérgio Conceição já disse que espera a curto prazo, ter uma equipa à base da formação. São bons princípios, mas convém não exagerarmos. Os Ajax desta vida, no futebol de hoje, em que tudo é mercado e não há (quase) limite de estrangeiros, são pouco consistentes. E mesmo esses Ajax foram buscar jogadores feitos - e caros - para enquadrar os mais jovens. Não tenho dúvidas de que Sérgio Conceição sabe (e praticará) isso, mas às vezes os adeptos não percebem. O Benfica irá a Vila do Conde com uma defesa made in Seixal. Já são jogadores com alguma rodagem e talvez tenham aquela vantagem da frescura dos mais jovens de que falava Arrigo Sacchi para esta fase. Mas é um terreno movediço, creio eu. Claro que olhando para alguns consagrados e vendo o que não conseguem fazer, os treinadores viram-se para os outros. E esses são os da formação.
O Sporting já desceu mais um degrau e, posso estar enganado, mas parece-me perigoso do ponto de vista das expectativas dos adeptos e dos resultados. Eduardo Quaresma acabou de fazer 18 anos, o defesa-esquerdo Nuno Mendes só os fará na sexta-feira. E havia Matheus (não é da formação mas está a estrear-se), Camacho, Jovane e depois Plata. Jovane acaba de fazer 22 anos e já tem outras capacidades físicas, claro.
Pensar que de um momento para o outro nasceram em Portugal dez ou 20 jogadores capazes de ter rendimento ao mais alto nível é bonito, mas é quase uma improbabilidade.
O Sporting recuperou quatro pontos e juntou-se ao Braga, mas os minhotos têm a vantagem de ter marcado em Alvalade, já que cada um ganhou o seu jogo por um golo (2-1, 1-0). Um Braga que se calhar perdeu uma boa oportunidade para se meter na luta pelo título (com Sá Pinto) e que está num momento antítese em relação ao tempo de Rúben Amorim. O Sporting ganhou ao Paços com o credo na boca. Os quatro primeiros estão a jogar bem pouco - o vírus tem tido efeitos parecidos em todos.
A figura: João Pedro Sousa
O Famalicão foi a única equipa que ganhou os dois jogos da retoma e marcou cinco golos. O seu treinador descobriu uma fórmula, ou então limitou-se a tirar da cartola os seus jovens, mais frescos. E está a três pontos do terceiro lugar, o que é mais relevante do que ter quatro sobre o sétimo (V. Guimarães). A liga do Minho ainda promete!
O golo: "Sénior" Tavares
Foi indiscutivelmente o de Júnior Tavares ao Benfica, num remate ao ângulo e bem de fora da área de um sénior. Bom também o de Jovane, de livre, e o de Diogo Gonçalves, do Famalicão.
O caso: Porquê?
Para uns Alex Telles viu o segundo amarelo por protestos, outros por uma suposta falta. Eu acho que foi porque Tiago Martins não gosta de futebol e expulsa sem certezas. E não há nada pior do que isso para um árbitro.
