FPF decidiu - e bem - concluir a época em nome da saúde pública, mas o futebol profissional só terá salvação com um antídoto bem diferente.
A salomónica decisão da Federação Portuguesa de Futebol em dar por concluídos os campeonatos não profissionais sem decidir campeões (futebol masculino e feminino, futsal, Liga Revelação...) é, em dias nada amigos de fórmulas exatas, corajosa e ousada.
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Claro que deixou uma enormidade de questões no ar, mas estou convicto de que foi a melhor decisão em nome da saúde pública, algo que conta bem mais do que o futebol (ou qualquer outro setor de atividade). É, obviamente, mais fácil decidir a conclusão imediata das provas referidas do que fazê-lo nas profissionais, isto é, I e II Liga. Mas esse é um cenário em cima da mesa, quer se queira ou não. A responsabilidade do organismo presidido por Pedro Proença, nessa circunstância, será, com certeza, verdadeiramente desafiada.
É verdade que a Liga está escudada nas diretrizes das autoridades de saúde pública e até nos seus próprios consultores. Um deles, Filipe Froes, um dos especialistas mais notados do momento, foi explícito: quem decide é o calendário governamental. Ou seja, terminar em campo ou não pode não depender da Liga ou dos clubes. A convicção é a de que, em finais de maio, deverá haver condições para se jogarem a I e II ligas até ao fim. E sim, garantindo-se os mínimos em termos de saúde pública (todos admitem jogos à porta fechada), há que assegurar os mínimos para a sobrevivência do futebol profissional português. Mas, nesse cenário, mesmo sem apontar um campeão (o que me pareceria justo), o grande desafio seria a Liga ter que se atravessar pela seleção dos emblemas que representariam Portugal nas competições europeias.
Acho que teriam de ser necessárias outras especialidades clínicas... Oxalá não. Oxalá o vírus passe rápido e que ninguém lhe de um bilhete para a bola, no verão.
