A análise de Manuel Queiroz à 25.ª jornada da I Liga.
Nenhum dos sete primeiros da classificação ganhou na primeira jornada pós-covid, a 25ª da Liga portuguesa, que viu o Benfica ficar igualado em pontos com o FC Porto no comando, não dando nenhum deles a ideia de poder arrancar para o título de forma decidida. Ambos estão abaixo das suas possibilidades ainda que a competitividade desta jornada não seja corroborada pela pontuação.
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Arrigo Sacchi dizia há dias, a propósito do retorno da Serie A italiana, que terão mais facilidade os jogadores mais jovens e mais leves do que os Lukakus. Pareceu-me evidente que os jogadores mais velhos, nesta altura, têm mais dificuldade para chegarem à forma ideal. Creio que se viu isso nos dois líderes do campeonato e principalmente no FC Porto, onde os avançados são mais velhos e mais fortes fisicamente e estão longe da forma ideal. Mas o mesmo Sacchi também recomendou treinar a mente, porque no fim é sempre a cabeça que vence ou perde. Será? Parece, evidente, isso sim, que este recomeço depois de três meses de paragem competitiva que estamos na situação de níveis físico-técnicos de início de época e carga emotiva de final, o que é uma novidade absoluta. É mar nunca antes navegado e que por cá criou algumas surpresas.
Vendo bem, ainda assim, o FC Porto perdeu num terreno onde já tinha perdido o Sporting e empatado o Benfica (para a Taça). Mas é evidente que uma defesa a 50% e com um guarda-redes pouco cuidadoso mostra vulnerabilidades. O Famalicão aproveitou o que lhe ofereceram - num certo sentido até achei a equipa inferior ao que fazia antes da pandemia. Mas ganhou pontos a toda à concorrência.
Foi preciso acontecerem coisas (um golo oferecido) para o FC Porto perder em Famalicão, mas não foi preciso acontecer nada para o Benfica empatar com o Tondela
Foi preciso acontecerem coisas (um golo oferecido) para o FC Porto perder em Famalicão, mas não foi preciso acontecer nada para o Benfica empatar com o Tondela, voltando a não marcar em casa - terceira vez na Liga esta época, o que é estranho. Teve oportunidades logo a partir do primeiro minuto mas a bola não entra. É o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato, mas Bruno Lage continua à procura de "um João Félix" que não existe - nem é Rafa, nem Taarabt, nem Jota. Parecia mais lógico apostar em dois pontas-de-lança num jogo em casa com um Tondela muito defensivo. Mas Lage preferiu uma equipa que se expusesse menos. Não pareceu a melhor opção, isso não. E desta vez já não tentou os três pontas-de-lança nos últimos minutos...
O Sporting de Ruben Amorim teve um teste difícil em Guimarães, esteve a ganhar duas vezes e empatou. O 3-4-3 tinha algumas boas experiências (Camacho no corredor direito, Quaresma como central, Jovane na frente) e outras que convenceram menos (Matheus Nunes por exemplo). Não é fácil ganhar em Guimarães e a equipa sofreu muito mas também soube fazer sofrer e até ganhou um ponto ao Braga, que perdeu com o Santa Clara na Cidade do Futebol apesar de um enorme Trincão (no lance do penálti nem pediu nada, quer é jogar...).
A figura: Pinto da Costa - Reeleito
Não foi da jornada mas tem reflexos: o 15º mandato de Pinto da Costa vem de uma eleição segura, mas não em glória. Este vai ser o mandato mais difícil do decano dos presidentes e a academia talvez comece em 2024, mas antes vai ser preciso tomar decisões bem difíceis.
O golo: Bruno Santos
Houve aquele golo de Bruno Santos (Paços de Ferreira) que fez tudo sozinho meteu a bola pelo meio de uma multidão , devagarinho, mas houve também os erros inaceitáveis de Marchesín, de Douglas e de Maximiano (com Matheus Nunes).
O caso: as pedras
Dois jogadores atingidos por estilhaços e a terem que ir ao hospital e esmo assim Luís Filipe Vieira deu uma "dura" aos jogadores já no Seixal, depois do empate com o Tondela. A pandemia tem feito estragos, não há dúvidas...
