RUGIDOS DO LEÃO - A opinião de Samuel Almeida.
Representar um clube com a dimensão e o peso do Sporting significa exigência, ambição, garra, raça, uma indomável vontade de vencer e um inconformismo em conviver com a derrota.
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Podendo haver maior ou menos qualidade individual de quem enverga a mítica camisola leonina, estes são predicados que nunca podem faltar a qualquer atleta e equipa que represente o Sporting CP. E nós adeptos, sócios do clube nunca poderemos exigir menos ou transigir nestes predicados que constituem o ADN de qualquer clube com a dimensão e história do Sporting CP.
Serve este introito para dizer que não gostei da exibição da equipa no Estádio do Dragão, não gostei da conferência de imprensa de Rúben Amorim, nem da reação dos jogadores após o jogo. E passo a explicar. Apesar da tenra idade de boa parte do onze leonino que entrou no Dragão e da boa organização coletiva da equipa em termos defensivos - ainda que com problemas evidentes na ligação dos setores em particular no último terço em que as qualidades de Sporar continuam por explorar - faltou chama, alegria e coragem à equipa do Sporting. Tendo entrado bem em jogo, a equipa foi-se progressivamente escondendo - mérito igualmente do Porto que pressionou muito e secou o jogo interior da equipa de Rúben Amorim - e mostrou-se sempre confortável (diria mesmo conformada) com o empate que vingou até aos 70 minutos. Durante esse período a equipa leonina criou uma oportunidade num canto por Jovane e pouco mais fez. Ora, dificilmente esta equipa do Sporting jogará em condições tão favoráveis na casa de um rival, seja pela ausência de público, seja pela circunstância do Porto não necessitar de vencer.
Não necessitava, mas quis vencer e aqui residiu a grande diferença entre as equipas. Obviamente que não podemos ignorar a diferença de experiência e tarimba dos plantéis, nem o facto do seu treinador estar há 3 anos no clube. Contudo, e voltamos à exigência, a uma equipa do Sporting (e a estes jovens que se querem mostrar) exige-se crença, coragem, irreverência e vontade de vencer. Pode faltar tudo o resto, podemos perder, mas não podemos sair do Dragão ou de qualquer campo com aquela sensação de clube pequeno que fez um joguinho jeitoso, mas perdeu. Não vi a dor que Rúben falou por ver o rival sagrar-se campeão com a equipa leonina em campo, não vi inconformismo, vi Matheus Nunes afirmar que a equipa merecia mais do jogo, quando nada fez até ao 1-0 para ganhar. E não vi Rúben Amorim reconhecer isso mesmo durante a conferência de imprensa no final do jogo. E perdeu uma oportunidade de ser coerente com o bom discurso que manteve na antevisão da partida.
Esta é uma equipa em formação e vai ser preciso tempo para fazê-la crescer em termos táticos, mas sobretudo mentais
O que acima ficou afirmado em nada contraria ou desmente os elogios que tenho efetuado ao jovem treinador leonino. Esta é uma equipa em formação e vai ser preciso tempo para fazê-la crescer em termos táticos, mas sobretudo mentais. E vai ser preciso paciência do público leonino e o nosso apoio a estes jovens jogadores e ao seu técnico. Mas esse apoio exige responsabilidade e exigência, pois há muito que se instalou em Alvalade a descrença, o conformismo e o convívio com a derrota. A presente época não pode repetir-se, pois por muito que Frederico Varandas e seus pares tentem passar uma esponja sobre o que se passou até à chegada de Rúben Amorim, esta é a pior época do clube em termos de derrotas da história centenária do clube. E sendo estes órgãos sociais tão lestos no seu próprio elogio, mais uma vez constatei que na hora da derrota - e são umas inacreditáveis 16 nesta época - ninguém da SAD leonina apareceu para apoiar a equipa, dar a cara e assumir o desaire. Em suma, temos de estar ao lado dos miúdos, mas a melhor forma de os ajudar a crescer é manter a exigência e o peso da responsabilidade em envergar a camisola leonina.
Antecipando a próxima época, e fazendo apenas jus ao que vem a público, fico de novo preocupado com a política desportiva da SAD leonina e as possíveis contratações de Feddal ou Antunes, ou mesmo Adán em final de carreira. Sendo necessária experiência e tarimba no plantel, não falta qualidade no campeonato português, sendo incompreensível investir mais de 10 milhões num central com uma carreira mediana como o marroquino. Uma coisa é ir buscar um jogador da craveira de Mathieu, outra contratar este central do Bétis. Espero bem estar enganado.
Afinal já não é traidor, é um homem da formação, não desperdiça talento e campeonatos
Nota final. Jesus regressa à Luz por 24 milhões de euros e certamente que vale o dinheiro. Afinal já não é traidor, é um homem da formação, não desperdiça talento e campeonatos e vai poder devolver o software que alegadamente roubou. É tudo tão bom quando acaba em bem, que até dá vontade de rir.
