O que está a passar-se este ano pode ser culpa de toda a gente, menos da direção do clube ou da administração da SAD
O diretor de comunicação do Benfica, o agente ou os amigos de Jorge Jesus: alguém precisa de convencer o treinador a dar aos adeptos uma palavra minimamente eloquente sobre o que se passou nos últimos seis meses. Pode ser uma entrevista a sério, pode ser um comentário estruturado - alguma coisa que soe a justificação.
O desfasamento entre as expectativas criadas e a real produção da equipa, tanto a nível exibicional como de resultados, é por ora colossal, e os sinais de que possa reduzir-se nas próximas semanas não são animadores
O desfasamento entre as expectativas criadas e a real produção da equipa, tanto a nível exibicional como de resultados, é por ora colossal, e os sinais de que possa reduzir-se nas próximas semanas não são animadores. Ora, para quem observe com um mínimo de distância, o culpado continua a ser Luís Filipe Vieira. Jesus ganhou tudo no Brasil, já tinha ganhado quase tudo em Portugal: como poderia ser ele a falhar - ainda por cima agora, com meios financeiros como nunca um treinador tinha tido entre nós?
Se o presidente se sentir injustiçado, terá razões para isso. Independentemente da sua conduta cívica, com que há de ser a justiça a acertar contas, saneou e modernizou o clube ao ponto de o deixar em condições de investir cem milhões de euros (e a contar) em jogadores.
O que está a passar-se este ano pode ser culpa de toda a gente, menos da direção do clube ou da administração da SAD. E Jorge Jesus, por muito que a sua filosofia seja a de continuar a martelar até acertar no prego (altura em que todos hão de perceber o génio que presidiu ao que ficou para trás), não pode deixar de fazer um "mea culpa", ou pelo menos explicar com um mínimo de zelo as razões por que as coisas não estão a correr bem agora, mas vão correr bem no futuro.
Limitar-se sacudir a água do capote e a exigir mais reforços, deixando que as responsabilidades se diluam na "estrutura" (e recaiam no líder), já é, hoje, uma estratégia cruel, egoísta e na verdade desleixada, que acabará por rebentar no rosto de toda a gente - incluindo o dele próprio.
