Pelas comprovadas garantias desportivas convertíveis em capital, Jesus até é barato. Vieira sabe-o
"Quem sair mais cedo da Europa fica mais perto de ganhar", proclamou o treinador do Benfica antes de o Málaga forçar o descarrilamento do FC Porto na Champions. Se se fizesse tábua rasa de todos os palpites que Jorge Jesus vai semeando, Vítor Pereira, pese o atraso de quatro pontos para o opositor a três jornadas do termo da prova, sentir-se-ia hoje cómodo no banco e ainda deveras esperançado na conquista do tricampeonato. Mas porque há um clássico no próximo sábado, ninguém no seu perfeito juízo poderá nesta altura declarar um vencedor. Até ver, o que temos como constatável é... meia falha de cálculo, mas a realidade convida-nos a admitir que o maior erro do técnico do Benfica pode muito bem ser o equívoco mais feliz da temporada. No caso, e pela forma como mostraram os dentes na decisão com o Fenerbahçe, são os jogadores que estão a dar a volta ao seu líder.
E a qualificação para a final da Liga Europa - que se junta à da Taça de Portugal - era a peça que faltava a Luís Filipe Viera para fechar o "puzzle" da renovação mais badalada. O "anúncio" foi feito quando ainda nada está ganho - ou quando ainda tudo pode ser perdido -, o que, por um lado, é sinal de que o presidente impôs internamente as suas ideias - "Jesus é o meu treinador", repetiu ontem - e, por outro, tem a certeza de que o técnico, pelas comprovadas garantias desportivas convertíveis em capital, até é barato. Pagar quatro milhões de euros/ano pelo melhor seguro que um presidente pode ter não dói assim tanto.
