A aposta em Heldon, o extremo goleador que já olha para o dérbi, e ainda em Shikabala é a assunção da fragilidade crescente do Sporting, que nas últimas quatro rondas somou três empates sem golos
Aestatística do Sporting-Académica, jogo em que os da casa foram incapazes de capitalizar a 100 por cento os brindes concedidos de véspera por Benfica e FC Porto na 17ª jornada do campeonato, denuncia na alínea da finalização parte do problema da equipa de Leonardo Jardim que há muito pouco tempo foi arrastado para este mesmo espaço de análise: a falta de rasgo ou de (mais) gente capaz de fazer a diferença, enfiar a bola na baliza quando os caminhos para as redes se estreitam e os espaços na grande área se reduzem, obrigando a superior precisão e capacidade de aproveitamento sempre que surge uma nesga. A assunção desta fragilidade, isto é, da necessidade de ter facas quentes, ou mesmo em brasa, para atacar defesas, usemos esta imagem, de manteiga bem rija como a da Académica, é aferível pelo par de incursões no mercado que redundou nas contratações do criativo Shikabala e do extremo goleador Heldon, sendo este o terceiro melhor marcador da prova (9 golos), apenas superado pelos líderes Jackson e Montero (ambos com 13 golos). Se o egípcio ainda precisa de ganhar forma, o cabo-verdiano tem já reservado um lugar no dérbi de domingo, na Luz, onde os leões, muito mais do que jogar pelo título, se batem com o líder da competição por um resultado que pode vir a ser determinante no acesso direto à Liga dos Campeões, na qual o FC Porto aparece, de momento, em desvantagem.
O estatuto de conjunto mais realizador ainda é pertença do Sporting (35 golos), que se apresenta nesta altura como o terceiro mais competente no que diz respeito à eficácia remate/golo (14,9%), atrás de Estoril (15%) e... Benfica (15,8%). Neste índice, porém, a quebra dos leões, ligada pelo umbigo ao estorvo que os adversários criam a Montero (sete jogos seguidos sem faturar) e também aos que mais vezes pisam a zona-chave, é um diagnóstico óbvio em face dos três 0-0 (Nacional, Estoril e Académica) amealhados nas derradeiras quatro jornadas, série em que o leão deitou seis pontos para o lixo e obteve apenas uma vitória, e pela margem mínima (2-1), em Arouca.
Na leitura do 0-0 com a Briosa - o segundo empate sem golos do Sporting em Alvalade (o primeiro foi com o Nacional na 14ª ronda) -, o treinador do Sporting passou um punhado de palavras pela ferida fresca, mas sem pressionar em demasia evitando fazer sangue. "Conseguimos situações de finalização, mas a bola ora batia na cabeça, ora num braço ou em qualquer parte do corpo dos adversários. Até mesmo no Ricardo, que fez boas defesas", chutou Jardim, desiludido com a incompetência dos seus homens na zona de concretização. E os números mostram-nos que não foi por falta de esforço que os verdes e brancos fracassaram na tentativa de vitória sobre os estudantes e consequente regresso ao primeiro lugar da I Liga, mesmo que fosse de ombro encostado ao Benfica. Melhor registo leonino do que os 21 remates efetuados na última partida só os 23 tiros disparados na Pedreira, frente ao Braga, numa noite em que o triunfo foi alcançado num dos últimos suspiros do encontro, com Cédric a ser feliz na meia-distância (2-1).
