O jornalista António Barroso escreve, em O JOGO, sobre o caso do insulto de um político português a Sérgio Conceição.
Não foi há muitos dias que um outro político profissional, o eurodeputado Manuel dos Santos, se insurgiu indecorosamente - no mínimo - contra Sérgio Conceição. Hoje, Seixas da Costa, aliado do mesmo partido e antigo profissional da política, com a agravante de ser um diplomata de carreira, aproveitou as redes sociais para chamar javardo ao treinador do FC Porto.
Era capaz de dar jeito, para não se queixarem de que a coisa pode tornar-se madrasta na hora das eleições.
Francisco Seixas da Costa é um diplomata retirado mas é uma personalidade ativa na vida pública, que sempre esteve muito próximo do Partido Socialista. Entre outros andamentos, foi secretário de Estado de dois governos liderados por António Guterres.
Em nenhum momento, apesar da verve pouco dócil e muito frontal de Sérgio Conceição, se vislumbrou ao técnico portista um qualquer incitamento público ao ódio e à intolerância. E nunca o vi publicar ou fazer reparos pessoais a ninguém da política. O homem tem o coração ao pé da boca, dê-se-lhe ou não razão nas suas endiabradas atitudes, e é na família do futebol que, para o bem ou para o mal, deve ser julgado.
Convenhamos: chamar javardo a um treinador, atendendo ao facto de o futebol já não ser um cenário de paz e concórdia - que é para isso que existe diplomacia -, não ficou bem ao diplomata, que até tem no seu currículo alguns dos melhores momentos da diplomacia portuguesa dos últimos anos.
A indisciplina de Sérgio Conceição já lhe valeu vários castigos. E é provável que aconteça mais vezes. Está sob avaliação e julgamento constante. Portanto, já que é (quase) tudo família, não há por aí nenhum patriarca no seio socialista (militantes, simpatizantes, simples votantes...) que ponha ordem à mesa no momento em que a rapaziada vem para a praça pública discutir futebol? Era capaz de dar jeito, para não se queixarem de que a coisa pode tornar-se madrasta na hora das eleições.
