Há treinadores que ganham no banco e outros que só pensam na assinatura
Os clássicos costumam ser jogos fantásticos, mesmo quando se olha para eles e se fica com a ideia - a certeza! - de não se ter percebido tudo o que lá se passou. Nessas alturas há a tentação de considerar o jogo fraco, demasiado tático, como se fosse um pecado, quando essa pode ser a riqueza da partida. Bloquear uma grande equipa exige jogadores de qualidade, muito estudo, um conhecimento e um trabalho profundos; explorar-lhe as fraquezas, principalmente sendo poucas ou até pontuais, exigindo a escolha do momento, é mais meritório ainda. Depois, há a perspetiva do espectador. A falta de emoção compensa-se com um resultado conveniente, mas bom mesmo é quando há golos e no final se pode discutir e questionar a justiça, sem ninguém ficar indiferente. A importância dos clássicos está plasmada nas páginas 2 e 3 da edição deste sábado.
O vencedor da miniliga a três aumenta de um modo brutal as possibilidades de ser campeão, daí a tentação para fazer de dérbis e clássicos jogos ainda mais especiais a nível técnico. Ontem, Conceição e Lage insistiram na tecla do coletivo, na importância de cada um pensar primeiro em si e depois no adversário, em acreditar naquilo que trabalhou. Quem for mais fiel aos princípios, mais perto estará do êxito, mas há quem não o consiga e até quem faça o aposto do apregoado, os incapazes de dispensar a assinatura, aqueles para quem o mais importante será o que conseguirem reivindicar como deles. São os verdadeiros candidatos a ajoelhar ou levar cinco depois de uma ideia que imaginaram brilhante ser apenas ridícula, trair a própria equipa e passar a invenção de se lhe apontar o dedo. Há também os que ganham os jogos ao prepará-los, outros no banco, por serem mais lestos a ler o jogo e a fazer as mudanças certas; em linguagem popular, os que têm golpe de asa. Esses não reivindicam.
