VISTO DE ITÁLIA - Pelo que deu a este desporto, o futebol ficou a dever-lhe, pelo menos, uma Bola de Ouro e uma Liga dos Campeões.
Durante a sua carreira, Zlatan Ibrahimovic é daqueles jogadores que não recebeu em troca tudo aquilo que plantou.
Pelo que deu a este desporto e às equipas por onde passou, o futebol ficou a dever-lhe, pelo menos, uma Bola de Ouro e uma Liga dos Campeões. E digo só uma, mas até poderiam ter sido mais. Em troca, Ibra deu-nos alguns dos melhores golos que já vimos por aí: do calcanhar no Euro"2004 à Itália, à bicicleta voadora em Solna à Inglaterra, aos golaços de calcanhar com o PSG. Ibra também nos deu mais de 500 golos na carreira e 11 campeonatos (mais um com a Juventus, que o clube perdeu com o "calciopoli", em 2005). O sueco também nos deu alguns momentos de arrogância desnecessária, mas a sua ironia consegue ser quase sempre brilhante.
Ibra nunca foi para as melhores equipas, mas fez sempre das suas equipas melhores do que elas eram antes: desde o Ajax em 2001, passando pela Juve de Capello, ainda abriu o ciclo vencedor do Inter em 2006, voltou ao Milan para ganhar o scudetto em 2011 jogando quase "sozinho" e tornou o PSG uma equipa finalmente vencedora entre 2013 e 2016. A única equipa onde não teve esse papel foi no Barcelona de Guardiola, mas ainda assim não podemos dizer que foi uma má época: o sueco marcou 21 golos em 45 jogos.
O mais impressionante foi o impacto que Ibra teve no seu regresso ao Milan em 2020. O avançado de Malmo ajudou a levar a equipa do 11.º lugar até à liderança da Série A em menos de seis meses. O Milan perdeu o primeiro lugar do campeonato precisamente no momento em que Ibra começou a sofrer com lesões e o mesmo repetiu-se na Liga Europa. No fim de contas, o Milan foi eliminado contra o United numa eliminatória onde Ibra pouco jogou, mas o jogador apareceu para dar a cara, para falar em nome da equipa, para realçar o que de bom tem feito este Milan e a importância dos jogos do campeonato que aí vêm. Um exemplo de liderança pura.
