VISTO DE ITÁLIA - A opinião de Cláudia Garcia.
Zlatan Ibrahimovic, para mim, é a alma da Serie A. É o avançado perfeito para o campeonato italiano. Aquele sotaque italiano misturado com o inglês, o sangue bósnio que cruza com o croata e o olhar intimidador. E depois os golos e que golos.
De todos os tipos: de longe, de perto, de cabeça, de calcanhar, de peito e de penálti. Não houve um 9 melhor a jogar em Itália nos últimos quinze anos. Antes dele, talvez Van Basten, porque Inzaghi e Shevchenko não estiveram ao mesmo nível. Ronaldo fenómeno não teve tanto tempo para deixar a marca de Ibra e Cristiano Ronaldo já chegou tarde para isso. O sueco soma 127 golos em 230 jogos oficiais só na Serie A, com as camisolas de Juventus, Inter e Milan. Com todas estas equipas venceu o scudetto. Na carreira, marcou mais de 500 golos e aos 38 anos continua a ser determinante.
Fora do campo, por vezes exagera, mas é um espetáculo lê-lo e ouvi-lo
Além de golos e de assistências (são mais de 200 na carreira), Ibra é um líder nato capaz de melhorar os que estão à sua volta. Foi assim com Robinho, Pato e Nocerino, com quem venceu o scudetto em 2011 pelo Milan, e a história repete-se agora com Rafael Leão, que cresce notavelmente de rendimento ao lado do avançado sueco. A reviravolta do Milan contra a Juve, em apenas cinco minutos, tem o carimbo de Zlatan. Primeiro o penálti, depois a assistência para Kessie, que empatou o jogo 2-2 e depois Leão e Rebic fizeram o resto, mas foi Ibra a levantar uma equipa que já parecia morta.
Fora do campo, por vezes exagera, mas é sempre um espetáculo lê-lo e ouvi-lo. Nunca é banal e também não manda ninguém falar por ele. Não há jornais a paparicá-lo. Pelo contrário. Esta semana falou em entrevista à SportWeek e atirou mais uma bomba: "Zlatan não é um jogador de Liga Europa e o Milan não é um clube de Liga Europa" - dando a entender que se vai embora, mas não se ficou por aqui: "Se tivesse chegado em setembro, hoje estaríamos a lutar pelo campeonato." E alguma razão tem. Quando Ibra chegou, em janeiro, o Milan ocupava o 11.º lugar da tabela e estava a 11 pontos da Roma. A Europa parecia uma utopia. Hoje, os rossoneri são sétimos e estão apenas a dois pontos da Liga Europa. Questionado na entrevista sobre aquele que deverá ser o novo treinador do Milan, o alemão Rangnick, que tem como objetivo montar uma equipa de jovens, Ibra não mordeu a língua: "Quem? Não o conheço." Atenção Milan, com jovens ou velhos, Ibra tem sempre lugar, perdê-lo é um grande erro.
