RUGIDOS DO LEÃO - A opinião de Samuel Almeida, aos domingos n'O JOGO.
1 - Vivemos tempos complexos, onde muitas agendas se cruzam no mediatismo e no imediatismo da comunicação, das redes e da superficialidade.
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Tempos dominados por agendas políticas e sociais onde é difícil resistir ao politicamente correto. Serve este introito a propósito da onda de indignação que assolou clubes e federações a propósito da proibição da colocação das cores do movimento LGBT no Estádio de Munique. A UEFA escudou-se na sua neutralidade política, isto apesar de não se coibir de atribuir uma das sedes a um país que manifestamente tem dificuldades em conviver com a democracia e as liberdades individuais.
2 - Mas nada disto faz sentido numa indústria que em termos de agenda de sustentabilidade vive em pleno século XIX. A começar pela responsabilidade social em todas a suas dimensões, a digitalização, governação e inclusão. Aliás, a implementação de uma agenda ESG seria um passo decisivo para a credibilização e regeneração do futebol profissional. A começar pela imposição de tetos salariais a jogadores - servindo de verdadeiro exemplo para o resto da comunidade - limitação dos valores de comissionamento de agentes, limitação de mandatos de dirigentes, imposição de regras claras sobre incompatibilidades (na dupla vertente de exercício de funções diretivas e titularidade de posições em sociedades desportivas), responsabilidade financeira de dirigentes, em suma, uma agenda de transparência. E no que diz respeito à inclusão, são conhecidos os problemas de racismo, já para não falar nas dificuldades óbvias de acesso das mulheres a cargos de dirigente, agenciamento ou arbitragem.
Se o futebol quer (e deve ser) um agente de transformação, tem de começar por se regenerar por dentro e dar o exemplo
Ao invés de colorirem os estádios e símbolos dos clubes com as cores da diversidade e inclusão, seria bom que os agentes desportivos se concentrassem em minimizar os problemas de transparência, corrupção, e até mesmo de lavagem de dinheiro no atual sistema de transferências de atletas e atribuição de grandes eventos desportivos. E se queremos verdadeiramente ser socialmente responsáveis, seria bom que os clubes pusessem um fim ao tratamento desumano dado a muitos jovens do continente africano, que nas mãos de agentes sem escrúpulos são explorados miseravelmente na esperança de um futuro melhor para si e para os seus. Se o futebol quer (e deve ser) um agente de transformação, tem de começar por se regenerar por dentro e dar o exemplo. Aliás, esta seria uma boa agenda para a administração leonina, liderando a modernização do futebol português. No mais, esqueçam lá as cores LGBT, que o Sporting é verde e branco.
3 - Palhinha é um jogador superlativo na sua posição e estou em crer que assim que assumir a titularidade da seleção, não mais a largará. Forte, combativo, disciplinado, inteligente, humilde, Palhinha é o protótipo do jogador moderno, com lugar em qualquer equipa. Ele foi o pilar do Sporting de Ruben Amorim, dando o equilíbrio e a agressividade que o modelo tático implementado pelo treinador leonino exige. Em Alvalade é Palhinha e mais 10. Não é um virtuoso, mas é imprescindível e seria impensável sair por menos da cláusula de rescisão.
4 - Com o título do hóquei, o Sporting colecionou 11 títulos nas principais modalidades, a que se juntam muitos outros títulos numa época ímpar. Mas se olharmos para os últimos 5 anos, o clube leonino coleciona 33 títulos, contra 16 do Benfica e 12 do Porto, ou seja, mais que os seus rivais juntos. Destes 33, 15 foram europeus, contra 3 dos seus rivais. É um domínio avassalador da maior potência desportiva nacional.
Notas finais. Os títulos do Sporting CP são títulos do clube e de todos seus adeptos, não dos seus presidentes.
