Suspeitas recaem sobre acontecimentos antes reportados pela Imprensa internacional por via do Football Leaks
Quando, em novembro de 2018, o periódico Mediapart, que pertence ao consórcio de Imprensa que investiga os documentos tornados públicos pela plataforma Football Leaks, começou a noticiar o envolvimento suspeito de Platini na atribuição do Mundial'2022 ao Catar (ler aqui, aqui e aqui), as autoridades francesas terão reunido indícios suficientes para investigar o antigo presidente da UEFA e avançar para os preliminares de Justiça que hoje "rebentaram" nos Media de todo o mundo.
Convém não esquecer que foi em março que a Fazenda gaulesa resgatou, nas costas das autoridades portuguesas, vários terabytes de informação dos computadores de Rui Pinto.
O frenesim online dá como factos, para já, a detenção, por suspeitas de corrupção, de Michell Platini e de Sophie Dion, uma antiga conselheira do ex-presidente Nicolas Sarkozy. Um terceiro suspeito, o único desta manhã que não ficou detido pela unidade anti-corrupção da Polícia Judiciária francesa (OCLCIFF), é Claude Guéant, ex-secretário-geral do palácio do Eliseu.
Em causa está a forma como se negociaram os votos para a escolha do Catar como palco do próximo Mundial. Um caso que envolve ainda suspeitas em torno do Paris Saint-Germain, direitos televisivos do futebol, compra de aviões para a frota daquele país do Médio Oriente, etc etc etc.
Recordando ainda alguns pormenores "polvilhados" na linha do tempo desde que 22 federações votaram a favor dos mundiais da Rússia'2018 e do Catar'2022, note-se que vários foram os representantes federativos entretanto castigados ou excluídos das atividades da FIFA por motivos e comportamentos variados, como o alemão Franz Beckenbauer (banido temporariamente em junho de 2014 e, posteriormente, sob investigação por suspeita de corrupção), o norte-americano Chuck Blazer (banido para sempre do futebol em julho 2015, falecido dois anos depois) ou Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, posto à parte do dirigismo pelo organismo que tutela o futebol mundial e acusado de corrupção pelo FBI (EUA).
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A procissão vai no adro, diz Ana Gomes, antiga deputada europeia em representação de Portugal, reagindo assim, na sua conta pessoal no Twitter: "O Football Leaks ainda só começou... mesmo com o Rui Pinto preso".
Ou seja, apesar de as autoridades francesas ainda não terem fornecido grande detalhe sobre o processo em curso, é de admitir que o Parquet National Financier (PNF - departamento do Ministério Público francês especializado em crimes financeiros) já tinha na sua posse - e mais terá conseguido reunir, momentos antes da extradição de Rui Pinto para as cadeias portuguesas - elementos que podem ter ajudado a sustentar as motivações judiciais contra Platini.
Convém não esquecer que foi em março que a Fazenda gaulesa resgatou, nas costas das autoridades portuguesas, vários terabytes de informação dos computadores de Rui Pinto. Tudo indica, portanto, que haja dedo do denunciante português e do Football Leaks nesta mediática investigação, que ganhou contornos globais com as detenções de hoje.
