Grande derrota no clássico foi a exibição de estupidez de um grupo de adeptos que lançaram tochas
DENTE DE LEÃO - Opinião de Marcos Cruz
Se a pescada antes de o ser já o era, também o Varandas antes de vencer a eleições já as tinha vencido e o Sporting antes de ganhar o jogo de ontem já o tinha ganho.
Por isso deixem-me ir atrás e dizer que a grande derrota no clássico da Taça foi a exibição de estupidez de um grupo de adeptos que lançaram tochas sobre o campo, demonstrando que são tudo menos adeptos, são bestas, atrasados mentais, energúmenos, gente que devia ser banida do futebol.
Não compreendo o que vai na cabeça desses labregos, sabendo que atitudes daquelas só prejudicam o clube de que se dizem apoiantes. Na minha opinião, deviam ser banidos, erradicados, impedidos de entrar num estádio. Hoje há condições de os identificar e, por isso, não se justifica que continuem a prejudicar o espectáculo de que tantos de nós gostam.
Quando vemos sanções à Rússia que contemplam a censura aos seus canais de televisão, fica difícil advogar a permanência destes neandertais nas bancadas. A Liga tem de fazer uso da tecnologia, identificar os culpados e impedir que eles voltem a passar além dos torniquetes. Simples.
Sobre a partida de ontem contra o Arouca, nada que espante. O Sporting carregou desde o início, teve sempre ascendente, demorou a marcar mas nunca provocou nos seus adeptos, julgo, a ideia de que o jogo poderia não ser resolvido a contento. Slimani mostrou ser mais letal do que Paulinho, o que também não surpreende ninguém, e a equipa foi fazendo o seu trabalho, sem permitir grandes veleidades ao adversário.
Gostei de ver Essugo a desafiar o tempo, permitindo a Ugarte aliviar um pouco a carga de render Palhinha durante a sua exagerada suspensão. Vinagre não aproveitou como devia a oportunidade que teve, precisa de ser mais incisivo se quer baralhar as contas de Amorim. Esgaio é um relógio, mas quem joga no Sporting não se pode reger por um metrónomo, tem de impor um golpe de asa, como Porro e Esteves, pelo que, do meu ponto de vista, depois do espanhol devia vir o chavalo ex-Porto, um talento puro cuja irreverência já se percebeu que não compromete, só acrescenta.
Posso estar a tornar-me chato, mas não encaixo a teimosia de Amorim quanto a Nuno Santos. É vertical? É. É rápido? É. Cruza bem? Cruza. Mas não ganha uma bola no um para um e é precipitado na maior parte das decisões que toma. Se me desafiassem, elencava já dez jogadores da Liga que furam melhor do que ele.
Edwards pode estar a sentir o peso da camisola, mas creio que se o treinador apostasse nele - ontem nem entrou - não haveria de esperar muito para ter retorno. Matheus Nunes anda menos incisivo, menos intenso, desde que Guardiola o elogiou. É descer à terra, amigo. Para já, estamos em Portugal.
Sinceramente, a minha expectativa agora projecta-se apenas e só sobre o nosso crescimento futebolístico. Não conto com títulos nenhuns até ao fim da época. Acho que devemos usar o tempo para evoluir e nos apresentarmos em 2022/23 como candidatos efectivos a ganhar tudo o que é nacional e ir o mais longe possível nas provas europeias. O caminho é por aí.

