Golo anulado ao Paços é a ilustração perfeita do que é a arbitragem em Portugal
RUGIDOS DO LEÃO - A crónica semanal de Samuel Almeida
1 - Gostava de não ter de falar em arbitragens, mas parece que não me deixam. O que se passou esta sexta-feira em Paços de Ferreira só tem um adjetivo: vergonha, e neste caso vergonha alheia. Nuno Almeida tem um historial de arbitragens lamentáveis - podemos juntar Tiago Martins e Manuel Mota a tal lote de ilustres -, mas este jogo do Porto ultrapassou todos os limites.
Parece claro que Rúben não gosta de Sporar, mas, a ser assim, teremos de ir ao mercado buscar um 9
O golo anulado ao Paços é a ilustração perfeita do que é a arbitragem em Portugal e do que se passa há 40 anos neste Portugal dos pequeninos. Aliás, não deixa de ser curioso que sendo campeões da Europa em futebol de 11, futsal e futebol de praia, dispondo de futebolistas e treinadores de classe mundial, não tenhamos um único árbitro presente regularmente nas fases finais das grandes competições da UEFA e da FIFA.
Uma coincidência, por certo, como será coincidência o facto de o Sporting ser a 13.ª equipa mais faltosa do campeonato e ser a mais penalizada com cartões. É tão fácil apitar contra o clube de Alvalade, tão fácil reverter decisões ou não ver penáltis descarados quando as competições apertam.
E tudo isto perante a complacência geral e com a desculpa esfarrapada de que, no final, todos são prejudicados e beneficiados. O sistema está viciado e os terrenos estão inclinados a favor dos nossos rivais, o que exige excelência e competência para os lados de Alvalade. Para vencermos, não podemos cometer erros e teremos de montar a melhor estrutura de futebol em Portugal.
2 - Faz bem o Sporting em não calar a sua revolta e indignação. E faz bem em apontar o dedo a tanto erro e tanto benefício sempre a favor dos mesmos. E se quisermos ser credíveis, é bom que tenhamos a coragem de admitir quando formos ocasionalmente beneficiados.
E é bom que retiremos todas as consequências das nossas posições mais recentes e não nos vejamos enleados em alianças e acordos com qualquer um dos nossos rivais. E, já agora, que Frederico Varandas tenha a coragem de recusar sentar-se ao lado de qualquer presidente dos nossos rivais - sem esquecer o presidente insolvente -, pois quem não sente não é filho de boa gente.
O Sporting tem de ter uma estratégia própria, uma liderança, um caminho, e o mesmo não se pode cruzar com todos os que têm contribuído e beneficiado do futebol pantanoso que temos em Portugal. O Sporting não precisa de alianças, precisa, sim, de liderar um projeto de regeneração do futebol português.
3 - O Porto apresentou 116 M€ de prejuízos. Depois dos prejuízos de 2015 (58 M€) e 2016 (35 M€), até parece que o clube nortenho não está sujeito às regras de fair play financeiro. São prejuízos a mais para quem faturou mais de 1,1 mil milhões em transferências e receitas da Champions na última década. A SAD do Porto está numa situação financeira pior que a do Sporting e tem seu futuro imediato comprometido. Há coisas que não se entendem, mas isso é um tema para os sócios portistas refletirem. Uma coisa é certa, a sucessão de Pinto da Costa promete ser quente e fraturante.
4 - O Sporting venceu bem o Gil, mas não jogou bem. Muito longe disso. Não sou treinador, mas confesso não entender a teimosia de Rúben Amorim em não ter uma referência mais fixa na frente de ataque, sobretudo nos jogos em casa e perante equipas fechadas lá atrás, como o Gil. Nem sempre teremos a felicidade desta semana e não podemos andar sempre a correr atrás do prejuízo.
Parece claro que Rúben não gosta de Sporar, mas, a ser assim, teremos de ir ao mercado buscar um 9, assim como mais um central. Neto tem acumulado erros atrás de erros, assim como Coates. Saber mexer no mercado de janeiro poderá ser a chave desta época.
Nota final. Leonel Pontes deu uma entrevista esta semana evidenciando a sua mágoa pela forma como saiu de Alvalade. E fez bem. Leonel não foi nada feliz no comando da equipa principal, mas tem muitos anos de serviços ao clube e é um leão dos quatro costados. Merecia mais respeito e não sair pela porta dos fundos de Alvalade.
