Afinal, olhando de forma crua para cada posição, há conclusões surpreendentes nos sub-21. E da baliza ao ponta de lança
Paciência - se calhar é o que faz falta a quem analisa os principais valores da seleção de sub-21 portuguesa (que ontem se apurou para as meias-finais do Europeu e, ao mesmo tempo, tirou bilhete para os Jogos Olímpicos de 2016) e não vislumbra brilhantismo, muito menos futuro. Na vida profissional, não é preciso vestir fato e gravata para se ser bem-sucedido. E no futebol é quase a mesma coisa: os desbloqueadores e os artistas são importantes, mas, se não forem enquadrados num coletivo coeso e bem trabalhado taticamente, vão acabar por bater no muro e cair para o lado, vencidos. Analisando a campanha dos jovens de Rui Jorge na fase de grupos, e olhando fria e cruamente para cada uma das posições, talvez sejamos capazes de extrair conclusões surpreendentes. E da baliza ao ponta de lança. As exibições do guarda-redes José Sá são a prova de que, afinal, há qualidade, e para aproveitar durante muitos anos, num posto tão exigente. Nas laterais, Esgaio e Guerreiro vão desmistificando a "convicção" de que Portugal não tem gente para essas tarefas, nomeadamente à esquerda. Centrais, esses, ontem, foram "só" três os que explicaram aos mais céticos que também naquela zona existem representantes tesos de uma geração operária para, a curto ou médio prazo, renderem os veteranos Ricardo Carvalho e Bruno Alves. E no meio-campo, há dúvidas sobre o que William, João Mário, Sérgio Oliveira e Bernardo Silva podem crescer e oferecer à Seleção A? Suprema lição de uma noite com final perfeito, até no eixo do ataque se ouviu "eu estou aqui": Gonçalo Paciência é claramente uma promessa para levar muito a sério.
