DRAGÃO DO SUL - A opinião de Paulo Baldaia, aos domingos n'O JOGO.
Ser portista em Lisboa, assumido, de emblema no peito e bandeira à janela, não dá medo nenhum, dá é pena de ver como funciona a suposta elite futebolística da capital e dá também vergonha alheia por ver tanto ilustre a comer gelados com a testa, tentando convencer todos os outros que é assim mesmo que se comem os gelados, com a testa!
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O que mais impressiona é que o tamanho do Benfica (sem qualquer dúvida, o clube com mais adeptos em Portugal) faz muita gente, que se tem na conta de descender do Homo Sapiens, perder o discernimento e ficar incapaz de ver o que entra pelos olhos dentro. A entrevista do presidente do Benfica, ao diretor de propaganda do Benfica, na televisão de propaganda do Benfica, é uma ostra carregada de pérolas, mas o ilustre Komentariado de Lisboa só é capaz de falar sobre um momento menos feliz de um miúdo de 18 anos (feitos há menos de três meses).
Luís Filipe Vieira chama pulhas e oportunistas aos sócios do Benfica que criticam a sua Direção e o que ocupa a corte é o Francisco Conceição deixar Porro de mão estendida no final do jogo. Eu sei, até parece mentira, mas é mesmo verdade, o presidente do Benfica acha que outros benfiquistas são pulhas e oportunistas e, com tanto espaço nas televisões e nos jornais para comentar estas ofensas, há uns artistas que sobre isto não dizem nada, mas querem ensinar boa educação às gentes do Norte. Chega a dar dó!
Ácido desoxirribonucleico* dos portistas
Vamos começar este texto pela vergonha mais recente, para ver se ninguém topa que, ao contrário de Sérgio Conceição e dos jogadores, nós queremos mesmo esquecer muito rapidamente o jogo da Taça com o Braga. Uma frasezinha chega para definir esse jogo: "Minha Nossa Senhora, que desastre!" Já está! Agora vamos sonhar alto.
Nos mata-mata deste ano, fomos sempre às meias-finais. Se quiserem fazer o mesmo na Liga dos Campeões, agora que deixamos a fase de grupos e estamos a ganhar ao intervalo na eliminatória com a Juventus, façam o favor. Se passarmos agora, ainda temos de vencer mais um tubarão e só então estaremos outra vez nas meias-finais. Mas, como já sabem que a ambição é a informação preponderante no ácido desoxirribonucleico dos adeptos deste clube, se lá chegarem, não desistam.
Não desistam, não se deixem vencer e prossigam até à final. Lá chegados, é outra das informações que transportamos no já referido ácido, as finais são para ganhar.
(*Ácido desoxirribonucleico é o nome da molécula de dupla hélice, que contém informação única e está presente em todas as células do nosso corpo. Todos conhecemos muito bem esta molécula a que nos referimos pela sigla ADN.)
Ao contrário de Sérgio Conceição e dos jogadores, nós queremos mesmo esquecer rapidamente o jogo da Taça com o Braga
Sérgio Conceição, agora e sempre
Escrevi esta crónica antes do jogo em Barcelos. Repito à exaustão a frase de Soares, só é vencido quem desiste de lutar, mas sei bem que a persistência nos obriga a repensar o caminho, até porque a grande prioridade é recuperar o segundo lugar, que perdemos depois do empate em casa com o Sporting. Temos de jogar bem, ganhar sempre e estar muito atentos, porque não somos os únicos interessados em ganhar um lugar na liga milionária.
Num clube com as dificuldades financeiras que tem o FCP, falhar este propósito será uma verdadeira tragédia. Mas dê o mundo as voltas que tiver de dar, reafirmo que Sérgio Conceição merece, de todos os sócios e adeptos, um profundo agradecimento por tudo o que trouxe de volta ao clube, e foi muito.
