VISTO DE ITÁLIA - Opinião de Cláudia Garcia
Quem acompanhou o futebol nas últimas décadas recorda vários treinadores que fizeram história: Mourinho, Ancelotti, Capello, Guardiola, etc. Mas foram poucos os que revolucionaram realmente o jogo de futebol. Mais recentemente temos dois: Sacchi no fim dos anos 1980 e Guardiola em 2008. Agora, estamos perante uma nova revolução do jogo, a de Gian Piero Gasperini.
O método do velho Gasp é simplesmente apaixonante e está a começar a ser aplicado por tantas equipas na Europa
O método do velho Gasp, de marcação homem-a-homem, de defesa com linha de três a jogar quase no meio-campo, com dois laterais que parecem ter um turbo ao longo dos 90 minutos e participam nas três fases do jogo, é simplesmente apaixonante e está a começar a ser aplicado por tantas equipas na Europa. Nem todas conseguem fazê-lo tão bem como a Atalanta, porque o Inter de Conte, por exemplo, usa a defesa a três, mas não joga tão bem e é muito mais defensivo. Já a Atalanta é sempre a equipa mais ofensiva da Serie A, a que marca mais golos e tem mais goleadas.
Influência de Gasp
Em Itália, pelo menos metade das equipas tem tentado adaptar-se a esse esquema. Na Europa, até Jorge Jesus disse que o futuro do futebol é a defesa a três, mas o mais surpreendente foi ver o Barcelona de Koeman, em Paris, jogar tal como a Atalanta de Gasp, com três centrais quase no meio-campo. O Barça jogou lindamente e, se tivesse aplicado esse esquema na primeira mão, talvez ainda estivesse na Liga dos Campeões.
A importância do trabalho físico
Gasperini não é um treinador fácil, para muitos não é o homem certo para grandes equipas nem para trabalhar com grandes egos. O seu método não contempla prima-donas no balneário e os treinos são sempre de máxima intensidade. Diz-se que os jogadores correm entre 11 a 12 quilómetros todos os dias nos treinos, mas quem, hoje, não perceber que a parte atlética voltou a ter um papel fundamental, está no caminho errado. Vejam o Bayern que venceu a Champions e a ascensão de jogadores como Haaland e Mbappé. Dito isto, Gasperini nem precisa de ir para uma grande equipa, trabalhar com grandes campeões, porque o seu maior troféu é ter transformado a Atalanta numa grande equipa, uma nova potência europeia e que já é um caso de estudo para vários clubes e jovens treinadores europeus.
O trabalho está à vista de todos, o italiano está perto de terminar a quinta época na Atalanta e de conquistar a quinta presença consecutiva nas competições europeias: duas na Liga Europa e duas na Champions. Não duvido de que esta Atalanta vá novamente à Liga dos Campeões e que até possa terminar à frente da Juve. Quando todas as equipas começam a perder fôlego, no final da época, os homens de Gasperini têm mais uma mudança para ativar. Daqui a alguns anos, quando este estilo de jogo estiver ultrapassado, recordaremos Gasperini como um dos técnicos que revolucionou o jogo.
